O corpo humano possui duas narinas que funcionam em um sistema alternado de dominância ao longo do dia. Este mecanismo, conhecido como ciclo nasal, desempenha papel fundamental tanto na respiração quanto na capacidade olfativa das pessoas. A alternância entre as narinas permite que o ar seja adequadamente preparado antes de chegar aos pulmões e melhora a localização da origem dos odores no ambiente.
Durante o ciclo nasal, uma narina absorve ar mais rapidamente enquanto a outra permanece parcialmente fechada. Esta dominância muda periodicamente de forma natural no organismo. De acordo com a Popular Science, diferentemente dos olhos ou ouvidos, as narinas estão posicionadas muito próximas uma da outra, e o bloqueio temporário de uma delas não causa sensação significativa de perda de função.
O nariz humano é biologicamente programado para ser o principal canal respiratório. A respiração pela boca ocorre apenas em situações específicas, como durante exercícios físicos intensos, em casos de dificuldade respiratória ou quando há obstrução nasal.
As narinas trabalham em conjunto no preparo do ar inspirado. O nariz atua como filtro para poeira e poluentes, aquece o ar até a temperatura corporal e adiciona umidade. Dessa forma, o ar chega aos pulmões completamente umidificado, evitando que ar frio e seco cause irritações ou contrações nas vias aéreas.
“O fato de termos duas narinas não é incomum, já que temos dois olhos e dois ouvidos”, explica Ronald Eccles, professor emérito da Universidade de Cardiff e fundador do Centro de Resfriado Comum. “O que é incomum é que as narinas alternam o fluxo de ar de um lado para o outro. Isso pode permitir que um lado do nariz descanse.”
Alternância contínua
Pesquisas mostram que as narinas nunca absorvem a mesma quantidade de ar simultaneamente. A cada poucas horas, um lado do nariz fica mais aberto e processa a maior parte do fluxo de ar, enquanto o outro lado processa menos ar, permitindo sua recuperação de umidade.
No processo respiratório, as moléculas de odor entram nas narinas, dissolvem-se no revestimento de muco e se ligam a neurônios que transmitem sinais ao cérebro. A narina mais fechada, com fluxo de ar mais lento, proporciona tempo adicional para que produtos químicos de absorção lenta se dissolvam no muco. Experimentos indicam que as pessoas percebem odores de absorção lenta com maior intensidade através da narina em estado de repouso.
“Não é um odor único e direto que atinge você”, afirma Thomas Hummel, chefe do Centro Interdisciplinar de Olfato e Paladar da Universidade Técnica de Dresden. “Você percebe os produtos químicos de forma diferente porque eles estão sendo absorvidos de maneira diferente.”
Capacidade de rastreamento
Um experimento científico demonstrou que pessoas vendadas conseguiram seguir um rastro de chocolate de 10 metros através da grama. “O cérebro é bom em usar até mesmo pequenas entradas”, explica Hummel. “Há evidências bastante boas de que uma das coisas que os sistemas nervosos podem fazer é usar informações das duas narinas para descobrir de onde vem um cheiro.”
Além disso, o fluxo alternado entre as narinas garante que cada uma forneça diferentes informações ao cérebro. Este mecanismo permite a combinação dessas informações, resultando assim em um sentido de olfato mais rico e aprimorando a capacidade de localizar a origem dos odores no ambiente.
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