As partidas de futebol de robôs foram uma das principais atrações da primeira edição do Brasil AI Experience, realizado no Distrito do Anhembi na capital Paulista. Quem teve a oportunidade de comparecer à feira inédita, que ocorreu entre os dias 30 e 31 de outubro, pôde acompanhar uma série de partidas bastante movimentadas com direito a goleadas, disputas físicas intensas e até torcida pressionando a arbitragem.
O torneio disputado durante o evento foi na categoria “Adult Size”, com robôs humanoides mais altos, de pelo menos 1 metro de altura. As máquinas utilizadas eram do modelo K1, fabricado pela chinesa Booster Robotics, que é uma das parceiras oficiais da RoboCup Brasil. Veja:
Para quem ainda não conhece, a RoboCup Brasil é uma organização sem fins lucrativos. Ela visa “divulgar e aprimorar pesquisas sobre Inteligência Artificial (AI) e Robótica” no país. A entidade promove competições de robótica desde 2007 e possui um propósito considerado bastante ambicioso.
A meta é desenvolver uma equipe de robôs capaz de vencer os campeões mundiais de futebol até 2050. Com o rápido desenvolvimento de soluções de hardware de robótica e, principalmente, da inteligência artificial (IA) nos últimos anos, a intenção da organização pode mesmo se tornar realidade dentro das próximas décadas.
Na categoria “Adult Size”, todas as equipes utilizam exatamente os mesmos robôs. A grande diferença está na tecnologia de inteligência artificial e da programação realizada por cada equipe que, neste caso, são compostas por professores e alunos de cursos de tecnologia de universidades brasileiras.
Além disso, conforme explica Rafael Lang, Vice-presidente de Relações Institucionais e CEO da Warthog Robotics, equipe da USP São Carlos, a estratégia em todas as fases do jogo também é de total responsabilidade dos times, que contam com integrantes com expertises e funções diferentes.
“A diferença do jogo se dá pela programação que você faz, pela inteligência artificial que você roda. Então cada equipe desenvolve a sua, às vezes ao longo de anos, talvez até décadas, para melhorar. Então, como eu localizo a bola, como eu me localizo em campo, qual é a melhor forma de eu chutar? Para a gente é muito natural ficar em pé. Agora pensa em qual é a matemática envolvida. Quanto de força você está fazendo no joelho, no quadril, no braço? Agora faz você andar, correr, chutar uma bola”, afirmou Lang em conversa com o Giz Brasil.
Robôs em campo
As partidas eram disputadas com três jogadores em cada equipe. Os robô K1 da Booster são capazes de andar para frente e também lateralmente mantendo o equilíbrio. Eles também conseguem mapear o perímetro do campo com as câmeras posicionadas na altura dos olhos.
Durante as partidas que acompanhamos, era possível observar que os robôs estavam o tempo todo olhando para a bola. Mesmo assim, como em um partida de futebol entre seres humanos, nem tudo sai como o planejado. Foi possível acompanhar algumas colisões e quedas mais preocupantes.
As equipes estão preparadas para agir caso seus “atletas” sofram com danos um pouco mais graves. Em colisões mais leves, a própria máquina é capaz de se levantar sozinha, mas, em alguns casos, os engenheiros precisam entrar em campo para remover os robôs e, até, substitui-los por outros, em caso de danos mais graves.
“As equipes são compostas não só de pessoas que programam. Então, tem gênero eletrônico, gênero de computação, gênero mecânico. É um time bastante complexo, multidisciplinar. Então, o robô quebrou mecanicamente, ou quebrou uma placa, queimou uma placa. Tem um time de eletrônica, tem um time de mecânica que vai fazer o reparo. Enquanto isso, os robôs estão jogando, você vai como se fosse um pit stop de Fórmula 1, consertar aquele ali e deixa ele pronto para jogar de novo”.
Atualmente, a indústria tem investido cada vez mais em robôs humanoides para uma série de finalidades. Alguns setores da indústria já estão implementando soluções do gênero para retirar humanos de tarefas insalubres ou que representem riscos à saúde ou à vida dos funcionários.
Além disso, empresas como Unitree, Tesla e Figure, por exemplo, apostam em máquinas para uso no ambiente doméstico. Os robôs utilizam avançados sistemas de robótica e inteligência artificial. O objetivo é auxiliar em tarefas do dia a dia para os humanos economizarem tempo e focarem em atividades mais importantes.
Rôbos além do futebol
A 1X, empresa norueguesa-americana, ganhou bastante notoriedade nos últimos dias com seu robô Neo, um assistente doméstico que promete mapear o ambiente e realizar uma série de afazeres domésticos de forma 100% autônoma. O projeto ainda não está completamente finalizado, mas mostra como cada vez mais empresas estão investindo na tendência.
Por enquanto, os robôs utilizados na categoria Adult Size são importados. Embora tenha profissionais altamente qualificados, o Brasil ainda não produz máquinas com este nível de sofisticação em larga escala. Lang, acredita que com o rápido desenvolvimento tecnológico no campo da robótica e IA nos últimos anos, será possível aumentar a capacidade produtiva do país.
“A Booster, que é essa empresa que está fabricando esses robôs, tem uma linha de produção de uma centena de robôs desses por mês. A gente não tem ainda essa escala no Brasil, mas é simplesmente uma questão de produção. A gente espera que com esse avanço todo da IA, da robótica e tudo mais, a gente consiga aumentar essa capacidade produtiva no Brasil. Baixar o preço de produzir uma unidade dessa aqui no Brasil e ter algo nacional”.
O futebol de robôs é apenas uma forma de tornar a robótica mais acessível para as pessoas que não são da área. Por trás das partidas, existem pesquisadores e estudantes trabalhando com hardware e aprimorando sistemas de inteligência artificial essenciais para o desenvolvimento da indústria como um todo.
“Um robô que joga bola é algo lúdico. Mas para ele jogar bola, ele tem que conseguir andar, correr, se localizar. Essas funcionalidades são as mesmas de um robô que consegue entrar num ambiente de risco, que consegue trabalhar em uma fábrica, que serve, por exemplo, como uma base para você desenvolver uma prótese. Então isso aqui é só uma forma, vamos dizer assim, divertida, de desenvolver algo que é sério. E aí você traz um público. Você traz todo um espetáculo em torno disso, mas com a finalidade de que a hora que você tira da pesquisa e transforma em uma solução útil”.
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