Um novo estudo pode explicar por que os famosos “hobbits humanos” (a espécie Homo floresiensis) eram tão baixinhos, mas conseguiam caçar e criar ferramentas.
Em 2004, paleontólogos descobriram a espécie na Indonésia e, devido à estatura de um metro, mudaram o entendimento sobre a evolução.
Além de baixinhos, os cérebros dos pequenos eram similares aos de um chimpanzé, apesar de existirem no mesmo período dos Neandertais e dos humanos, com cérebros maiores.
Habitantes da Ilha de Flores, na Indonésia, os “hobbits” da vida real existiram entre 700 e 60 mil anos atrás e, apesar de baixinhos e com o cérebro pequeno, a espécie construiu ferramentas, manipulou fogo e até caçou elefantes em miniatura.
Para descobrir por que eles eram tão baixinhos, cientistas estudaram os terceiros dentes molares, ou sisos, do H. floresiensis. Durante a evolução humana, os sisos diminuíram conforme o cérebro crescia, sendo um indicador do desenvolvimento cerebral.
Surpreendentemente, os sisos deles eram relativamente pequenos em comparação aos dos Neandertais, que tinham cérebros muito maiores.
Conforme o estudo publicado em junho, os cientistas chegaram à teoria de que os membros da espécie Homo floresiensis eram biologicamente programados para ter cérebros maiores.
Contudo, algo interrompia esse processo após o nascimento, o que pode explicar por que os “hobbits” humanos eram tão baixinhos.
Condição presente em humanos pode explicar por que eles eram baixinhos
O estudo analisou humanos modernos com Síndrome de Laron, uma condição genética que causa nanismo, mas com crânios proporcionalmente menores.
As pessoas com essa condição têm sisos de tamanho normal, indicando que a Síndrome de Laron afeta o crescimento somente após a pessoa nascer.
Desse modo, os cientistas propuseram uma teoria de que uma restrição de crescimento similar ocorreu nos “hobbits”. De acordo com o estudo, o nanismo insular pode explicar por que eles eram baixinhos.
O nanismo insular é um processo evolutivo comum em ilhas onde há poucos predadores e os recursos são limitados, favorecendo, portanto, corpos menores.
Caso os níveis de fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1) sejam baixos, a espécie passou por uma redução de tamanho após o nascimento, assim como em humanos com Síndrome de Laron.
Além de baixinhos, esse fator explica por que os cérebros dos “hobbits” eram menores, mas sem impactos cognitivos. A teoria ajuda a resolver o paradoxo sobre como eles conseguiam manipular o fogo e fabricar ferramentas mesmo com cérebros tão pequenos.
O estudo indica que somente o tamanho do cérebro não determina a inteligência. Além disso, a evolução insular da espécie seguia diferentes regras de desenvolvimento.
The post Teoria pode explicar por que os “hobbits” da vida real eram baixinhos appeared first on Giz Brasil.