Em dezembro de 2024, uma tempestade no Pacífico gerou ondas oceânicas sem precedentes. Satélites em órbita documentaram as maiores ondulações já registradas do espaço. Agora, cientistas da ESA (Agência Espacial Europeia) divulgaram dados do satélite SWOT (Surface Water and Ocean Topography). A análise revelou ondas com alturas médias de 19,7 metros e individuais provavelmente superiores a 35 metros. O artigo foi publicado recentemente na revista PNAS.
De acordo com a ESA, os dados mostraram que as ondas oceânicas podem avisar sobre tempestades distantes. Afinal, mesmo longe da costa, a energia que uma tempestade gera pode viajar distâncias imensas pelo oceano, carregando poder destrutivo para litorais.
A equipe, liderada por Fabrice Ardhuin, do Laboratório de Oceanografia Física e Espacial da França, focou na tempestade Eddie. Ela foi identificada como a maior em altura média de ondas na última década. Seu impacto foi muito além do ponto de origem, com uma extensão de 24 mil quilômetros de ondas no oceano. Elas viajaram do Pacífico Norte através da Passagem de Drake e alcançaram o Atlântico tropical entre 21 de dezembro de 2024 e 6 de janeiro de 2025.
A pesquisa combinou dados do SWOT com décadas de registros do projeto Sea State, da ESA, reunindo informações de diversos satélites.
Crédito: ESA
O que os satélites descobriram sobre as tempestades e ondas?
Embora as ondas geradas pelo vento atinjam potência máxima durante tempestades, as áreas costeiras enfrentam sua maior ameaça das ondas de longo período. Esses comprimentos de onda se propagam pelas bacias oceânicas e suas características. O período da onda, o intervalo entre cristas sucessivas, informa o tamanho e a intensidade da tempestade.
A pesquisa representa a primeira validação observacional direta de modelos numéricos de ondas em condições extremas, corrigindo cálculos de energia de ondas existentes. Ondas de tempestade dominantes concentram uma quantidade maior de energia do que se acreditava, em vez de a distribuírem entre comprimentos de onda longos. Ou seja, elas concentram sua força em golpes principais, em vez de dispersar o esforço em muitos mais fracos.
Segundo o Dr. Ardhuin, o “próximo passo é relacionar as descobertas às mudanças climáticas” com modelagem. Isso pode ajudar a proteger as comunidades costeiras, bem como a infraestrutura marítima.
“Agora somos capazes de rastrear as tendências de intensidade das tempestades ao longo do tempo“, disse. “As mudanças climáticas podem ser um fator, mas não são o único. No litoral, as condições do fundo do mar também moldam as ondas, por exemplo, e essas tempestades muito grandes são raras – ocorrendo aproximadamente uma vez por década – o que dificulta a comprovação de tendências.”
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