Não só o phubbing está estragando relacionamentos. Com o avanço da inteligência artificial, mais pessoas estão recorrendo a chatbots para tarefas incomuns. Entre elas, fazer terapia ou até simular um relacionamento amoroso. O problema é que algumas delas, na verdade, já têm parceiros na vida real. E isso parece estar afetando namoros e casamentos e resultando em divórcios.
No Reddit, internautas já compartilharam histórias sobre divórcios. Uma mulher, por exemplo, descobriu que seu marido estava pagando por um aplicativo para ter uma namorada de IA. Segundo pesquisas da Clarity Check e do Instituto Kinsey, da Universidade de Indiana, nos EUA, cerca de 60% dos solteiros já consideram os relacionamentos com inteligência artificial uma forma de traição.
No Reino Unido, por exemplo, o uso de apps de chatbot se tornou um incentivo mais comum para o divórcio, segundo o serviço de coleta de dados Divorce-Online. A plataforma declarou um aumento no número de pedidos de divórcio este ano, com clientes alegando que aplicativos como Replika e Anima criaram “apego emocional ou romântico”.
Advogada comenta sobre divórcios por traição com IA
Em entrevista à Wired, a advogada de divórcio estadunidense Rebecca Palmer afirmou que “a legislação ainda está se desenvolvendo em paralelo com essas experiências”. Vale lembrar que uma nova lei dos EUA está tentando evitar brechas para o casamento de pessoas com ferramentas de IA.
“Mas algumas pessoas consideram um relacionamento verdadeiro, e às vezes até melhor do que um relacionamento com uma pessoa”, contou Palmer.
A profissional, que já trabalhou com divórcios por infidelidade com IA, contou que um de seus casos atuais envolve gastos financeiros e compartilhamento de informações privadas com um chatbot. Ou seja, contas bancárias, números de seguro social e informações de nascimento.
Para Palmer, a traição com IA pode complicar ainda disputas por guarda. Isso porque, manter um relacionamento com um chatbot, pode levantar questionamentos sobre como os pais estão passando o tempo com seus filhos.
Ela também acredita que a IA seja uma “evolução natural” do que já acontecia com as redes sociais anteriormente. “Pode ser que um parceiro tenha se reconectado com alguém que não via há anos. Ou que simplesmente exista uma necessidade real de comunicação. É raro hoje em dia não haver o envolvimento das redes sociais”, apontou.
Segundo o Ministério Público do Estado de Mato Grosso, nos últimos anos, a infidelidade virtual já se tornou o maior motivo de divórcios no Brasil, superando o fator financeiro. O país, aliás, é um dos líderes em tempo de uso de internet.
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