No início do século 20, o médico norte-americano Duncan MacDougall fez um experimento inusitado: ele construiu uma balança exclusiva para pesar a alma.
Ele colocou um homem com tuberculose, um dos seus primeiros pacientes, na cama quando se aproximava da morte. Quando ele morreu, o médico notou que o contrapeso da balança diminuiu 21 gramas rapidamente. MacDougall considerou o número como o peso da alma humana.
Durante décadas, o estudo continuou, resultando em obras como o filme “21 gramas” (2003), o livro “O Símbolo Perdido” (Dan Brown) e o anime “One Piece”, por exemplo.
Experimento do peso da alma
O Journal of the American Society for Psychical Research publicou o artigo em 1907, com o título “Hipótese sobre a Substância da Alma Juntamente com a Evidência Experimental da Existência de Tal Substância”. Uma das ideias-chave era que, se a personalidade ou consciência persistisse além da morte, deveria ocupar um espaço físico no corpo.
Para o experimento, MacDougall criou uma balança extremamente sensível. Ele levou em conta a perda de peso devido à saída de ar do corpo, à evacuação dos intestinos ou da bexiga, bem como à evaporação do suor. Ele calculou o suor e se pesou inspirando e expirando ar, o que não teve efeito na balança.
Cada um de seus seis pacientes, cinco homens e uma mulher, perdeu uma pequena quantidade de peso repentina no momento da morte. Em alguns casos, era difícil medir a perda de peso com precisão. Um deles, por exemplo, faleceu durante o ajuste da balança. Além disso, houve “muita interferência de pessoas que se opunham ao nosso trabalho”, escreveu ele.
Após a repercussão do experimento dos 21 gramas, MacDougall enfrentou duras críticas, como já esperava. Embora tivesse apoio de alguns religiosos, cientistas consideraram o tamanho da amostra muito pequeno, a metodologia falha e os resultados inconsistentes. Portanto, em um adendo à pesquisa, MacDougall disse estar “bem ciente de que esses poucos experimentos não comprovam a questão”.
Outros experimentos
Depois, MacDougall trabalhou também no uso de raios X para fotografar a alma humana, experimento que o The New York Times disse ter sido copiado do eletricista médico Dr. W. J. Kilner, em uma reportagem de 1911.
Apesar do que pode parecer, MacDougall não era uma pessoa espiritual. O antigo jornal norte-americano Haverhill Evening Gazette, aliás, o descreveu como “teimoso e prático”, com mente científica e aversão à crença em espiritualismo ou fenômenos psíquicos. O The New York Times descreveu ele no passado como um “médico respeitável” com anos de experiência.
Mas, mesmo após sua morte, aos 54 anos, nove anos depois, MacDougall deixou muitas perguntas. Um cientista, o Professor Twining, chegou a tentar refutar MacDougall pesando camundongos moribundos. Ele afirmou que a perda de peso na morte era “devida à umidade, gás ou alguma substância sobre a qual nada sabemos”. A conclusão foi publicada no artigo “A Teoria do Peso da Alma Agora Está Desmentida”, no The Los Angeles Herald.
Décadas mais tarde, vários pesquisadores tentaram desvendar o peso da alma, em experimentos que se seguiram até 2001, com físico e atleta de resistência Lewis Hollander. Em 2005, o médico Gerard Nahum propôs cercar o corpo com detectores eletromagnéticos para ele detectar a “saída” da alma, mas o mesmo não foi realizado.
Duncan MacDougall. Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons
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