Por que pais estão pagando até R$ 42 mil para detox digital de filhos

Pais com filhos viciados em tecnologia estão pagando até R$ 42 mil por um “detox digital” nos Estados Unidos, de acordo com o The Washington Post. Muitos estão procurando profissionais, coaches, comunidades online e até acampamentos para esse fim.

O Reset Summer Camp, em Santa Bárbara, na Califórnia, é um desses lugares. Durante quatro semanas, aproximadamente 30 adolescentes entre 13 e 18 anos vivem em dormitórios universitários sem acesso à tecnologia, por pouco menos de US$ 8.000 por pessoa. O especialista em gestão do tempo de tela Daniel Towle, da Grã-Bretanha, também ajuda os responsáveis a navegar pelo mundo online. Ele ensina, por exemplo, sobre os principais riscos das plataformas atuais.

Isso porque, segundo o com o Pew Research Center, cerca de um quarto das crianças de até 12 anos tem um celular, enquanto a maioria tem acesso a um tablet ou smartphone. 86% dos pais afirmam ter regras sobre o uso de dispositivos eletrônicos, mas a maioria diz que só consegue cumpri-las na maior parte do tempo ou às vezes. Além disso, uma análise sobre o fórum de pais Reddit revelou que 1 em cada 5 postagens mencionava tecnologia. Recentemente, a Dinamarca já anunciou que vai cortar redes sociais para menores de 15 anos.

Em entrevista ao jornal, Losh, de 51 anos, contou que segue criadores de conteúdo sobre crianças e tecnologia. Após descobrir que chatbots de inteligência artificial podem ter conversas inapropriadas, ela passou a pagar US$ 14,99 mensais (aproximadamente R$ 80) pelo app de monitoramento Bark. A empresa tem uma das maiores comunidades online para pais e responsáveis, “Parenting in a Tech World”, no Facebook, com mais de 650 mil membros.

O que profissionais recomendam para proteger crianças da tecnologia?

Segundo Ben Gillenwater, conhecido como o Cara de TI da Família, ex-CTO de empresas de tecnologia, esses equipamentos “são feitos para adultos, e as configurações infantis são improvisadas”. “Principalmente se [a empresa] estiver em uma crise de relações públicas“, disse. Por isso, ele aconselha os pais ​​a se concentrarem no que considera os maiores riscos: feeds algorítmicos e bate-papo anônimo. Ele também defende que as empresas devem criar produtos para menores que priorizem a família.

David Gomez, policial escolar em Idaho, administra uma página no Facebook, Officer Gomez, na qual compartilha truques dos jovens para burlar os controles. Por exemplo, usar aplicativos educacionais para assistir a vídeos do YouTube sem restrições ou praticar bullying em documentos compartilhados do Google. Ele recomenda, portanto, que adultos orientem as crianças e adiem a idade em que dão smartphone a eles.

Por fim, Samantha Broxton, consultora e coach parental na Califórnia, acredita que a abundância de telas na vida das crianças se deva, em parte, à redução de espaços comuns, brincadeiras ao ar livre e sistemas de integração à comunidade. “Temos pavor do mundo exterior, então eles ficam dentro de casa, e não temos pavor suficiente do mundo interior”, disse.

Por fim, confira 5 dicas para proteger crianças e adolescentes nas redes sociais.

The post Por que pais estão pagando até R$ 42 mil para detox digital de filhos appeared first on Giz Brasil.

Rolar para cima