Um estudo internacional identificou que o declínio da memória relacionado à idade está associado a alterações estruturais generalizadas no cérebro que se acumulam ao longo do tempo, e não apenas a uma região cerebral específica. A revista Nature Communications publicou a pesquisa na última quarta-feira (14). Os cientistas analisaram exames de ressonância magnética (MRI) e testes de memória de adultos sem comprometimento cognitivo.
A investigação demonstrou que a perda de memória se intensifica conforme a diminuição do tecido cerebral aumenta, principalmente em fases mais avançadas da vida. De acordo com o ScienceDaily, embora o hipocampo desempenhe papel importante nesse processo, diversas outras regiões cerebrais também contribuem para o fenômeno, formando uma vulnerabilidade ampla em vez de danos isolados.
Esta descoberta contradiz a ideia de que o declínio cognitivo é simplesmente uma consequência natural do envelhecimento. Os pesquisadores identificaram que se trata de manifestações de predisposições individuais e processos relacionados à idade que facilitam o desenvolvimento de processos neurodegenerativos e doenças.
Colaboração internacional permitiu análise abrangente
A pesquisa foi viabilizada por um esforço internacional que combinou imagens cerebrais e avaliações de memória de milhares de adultos. Ao reunir dados de múltiplos estudos longitudinais, os cientistas conseguiram examinar como o desempenho da memória muda junto com alterações estruturais no cérebro ao longo do tempo.
O estudo envolveu adultos saudáveis sem diagnóstico de comprometimento cognitivo. A equipe acompanhou indivíduos de diferentes faixas etárias para compreender a relação entre mudanças cerebrais e desempenho da memória com o passar dos anos.
Uma equipe internacional de pesquisadores colaborou na análise de dados provenientes de 13 estudos distintos realizados em diferentes países. Esta abordagem proporcionou uma visão mais abrangente do envelhecimento cerebral do que seria possível com estudos individuais de menor escala.
Dados revelam relação complexa entre cérebro e memória
Os cientistas analisaram mais de 10 mil exames de MRI e mais de 13 mil avaliações de memória obtidos de 3.700 adultos cognitivamente saudáveis distribuídos em 13 estudos independentes. Os resultados indicaram que a relação entre a diminuição cerebral e o declínio da memória não é simples ou linear, tornando-se mais forte em idades avançadas e não podendo ser explicada apenas por fatores de risco genéticos conhecidos para Alzheimer, como o APOE ε4.
Um aspecto ainda não completamente esclarecido é como essas mudanças estruturais no cérebro interagem com outros fatores, como, por exemplo, estilo de vida, nutrição e exercício, na determinação do declínio da memória relacionado à idade. Também permanece incerto como essas descobertas podem ser traduzidas em intervenções clínicas específicas.
Saúde cognitiva
Com base nesses resultados, os pesquisadores poderão desenvolver abordagens mais precisas para identificar indivíduos em risco de declínio cognitivo acelerado. Além disso, criar intervenções personalizadas para apoiar a saúde cognitiva ao longo da vida.
“Ao integrar dados de dezenas de pesquisa, agora temos o quadro mais detalhado até o momento de como as mudanças estruturais no cérebro se desenrolam com a idade e como elas se relacionam com a memória”, afirmou Alvaro Pascual-Leone, MD, PhD, cientista sênior do Instituto Hinda e Arthur Marcus para Pesquisa do Envelhecimento e diretor médico do Centro Deanna e Sidney Wolk para Saúde da Memória, nos EUA.
“O declínio cognitivo e a perda de memória não são simplesmente consequência do envelhecimento. Mas manifestações de predisposições individuais e processos relacionados à idade que possibilitam processos neurodegenerativos e doenças. Esses resultados sugerem que o declínio de memória no envelhecimento não se trata apenas de uma região ou um gene. Ele reflete uma ampla vulnerabilidade biológica na estrutura cerebral que se acumula ao longo de décadas. Assim, entender isso pode ajudar pesquisadores a identificar indivíduos em risco precocemente e desenvolver intervenções mais precisas e personalizadas. E que apoiem a saúde cognitiva ao longo da vida e previnam a incapacidade cognitiva”, completou.
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