Perseverance encontra evidências de chuvas intensas no passado de Marte

Pesquisadores identificaram rochas compostas de caulinita em Marte através do rover Perseverance da NASA. Os cientistas acreditam que esta evidência sugere que o planeta vermelho pode ter experimentado milhões de anos de chuvas intensas em seu passado. Ou seja, condições completamente diferentes do ambiente marciano atual. A revista Communications Earth & Environment publicou a descoberta.

A caulinita, um tipo de argila rica em alumínio, forma-se na Terra apenas em ambientes quentes e úmidos após longos períodos de precipitação. A presença destas rochas brancas representa um forte indício de que partes de Marte foram muito mais úmidas do que são hoje, de acordo com o ScienceDaily.

Formação que exige água abundante

Rochas que se destacaram como pontos de cor clara na superfície laranja-avermelhada de Marte mostra que áreas do pequeno planeta poderiam ter apoiado oásis úmidos com climas úmidos e chuvas fortes comparáveis a climas tropicais na Terra. Crédito: NASA

Na Terra, a caulinita se forma quando rochas e sedimentos ficam expostos à água por longos períodos. Perdendo assim a maioria dos outros minerais durante este processo. Além disso, este fenômeno ocorre tipicamente em ambientes tropicais como florestas úmidas.

“Em outros lugares de Marte, rochas como estas são provavelmente alguns dos afloramentos mais importantes que vimos da órbita porque são muito difíceis de formar”, disse Briony Horgan, que atua como planejadora de longo prazo na missão do rover Perseverance. “Você precisa de tanta água que acreditamos que estas poderiam ser evidências de um clima antigo mais quente e úmido onde havia chuva caindo por milhões de anos.”

O processo de formação da caulinita geralmente exige milhões de anos de chuvas persistentes em climas quentes e úmidos. Dessa forma, contrasta fortemente com o ambiente marciano atual, que é frio e seco.

Descoberta na cratera Jezero

O rover Perseverance identificou estas rochas claras que contrastam nitidamente com o terreno avermelhado ao redor. A pesquisa foi liderada por Adrian Broz, pesquisador de pós-doutorado na Universidade Purdue, nos EUA.

Os fragmentos de caulinita variam de pequenos seixos a grandes pedregulhos. O rover analisou eles pelos instrumentos SuperCam e Mastcam-Z desde seu pouso na cratera Jezero em fevereiro de 2021. Esta região é considerada o local de um antigo lago marciano.

Os fragmentos de caulinita foram encontrados espalhados ao longo do caminho percorrido pelo rover na cratera Jezero.

Origem das rochas ainda é um mistério

A origem exata destas rochas brancas permanece um mistério para os cientistas. Existem várias hipóteses sendo consideradas, incluindo, por exemplo, a possibilidade de terem sido transportadas por rios antigos, depositadas durante inundações ou espalhadas por impactos de asteroides.

“Elas claramente registram um incrível evento aquoso, mas de onde vieram?”, questiona Horgan. “Talvez tenham sido levadas para o lago de Jezero pelo rio que formou o delta, ou talvez tenham sido lançadas em Jezero por um impacto e estão apenas espalhadas lá. Não temos certeza total.”

Broz explicou que na Terra, a caulinita é mais comum em ambientes tropicais onde chuvas intensas provocam forte intemperismo químico. “Então, quando você vê caulinita em um lugar como Marte, onde é árido, frio e certamente sem água líquida na superfície, isso nos diz que uma vez houve muito mais água do que há hoje”, disse o pesquisador.

Implicações para a busca de vida

Embora dados de satélite tenham revelado grandes depósitos de caulinita em outras partes de Marte, o Perseverance ainda não chegou a essas localizações.

“Mas até que possamos realmente chegar a esses grandes afloramentos com o rover, essas pequenas rochas são nossa única evidência no solo de como essas rochas poderiam ter se formado”, acrescenta Horgan. “E agora as evidências nessas rochas realmente apontam para esses tipos de ambientes antigos mais quentes e úmidos.”

Porém, a descoberta tem implicações para a compreensão do potencial de Marte ter abrigado vida no passado. “Toda vida usa água”, observa Horgan. “Então, quando pensamos sobre a possibilidade dessas rochas em Marte representarem um ambiente impulsionado pela chuva, esse é um lugar realmente incrível e habitável onde a vida poderia ter prosperado, se alguma vez estivesse em Marte.”

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