Osso raro aponta para nova espécie de dinossauro

Pesquisadores do Dinosaur Institute, nos EUA, e instituições parceiras comprovaram que o Nanotyrannus representa uma espécie própria de dinossauro e não apenas um Tyrannosaurus rex em fase juvenil. A descoberta foi anunciada após análise microscópica de um osso da garganta do espécime. O estudo, publicado na revista Science, encerra assim um debate paleontológico de décadas sobre a classificação deste predador do Cretáceo Tardio.

A equipe científica examinou detalhadamente o holótipo do Nanotyrannus. Ele é um espécime original usado para identificar a espécie, concentrando-se no osso hioide localizado na região da garganta. A controvérsia existia porque muitos paleontólogos questionavam se o único crânio conhecido representava realmente uma espécie separada ou apenas um T. rex jovem.

De acordo com ScienceDaily, esta descoberta representa um avanço significativo na paleontologia. Isso porque ele resolve uma das questões mais debatidas sobre os dinossauros predadores do final do período Cretáceo.

“A identidade do espécime holótipo foi a peça-chave neste debate. Descobrir que este pequeno crânio estava na verdade completamente desenvolvido mostra definitivamente que ele é diferente do Tyrannosaurus rex“, afirmou o Dr. Christopher Griffin, autor principal do estudo.

Nanotyrannus

A análise microscópica do osso hioide e comparações com aves modernas, crocodilianos e outros dinossauros permitiram aos cientistas determinar que o espécime estava quase completamente desenvolvido. Este método foi crucial para estabelecer a classificação correta do animal.

“Quando iniciamos este projeto, não estava claro se o hioide preservava um registro do crescimento de um dinossauro. Para ser honesto, nós majoritariamente aceitávamos a hipótese de que o Nanotyrannus era um T. rex juvenil. Então esperávamos que a estrutura microscópica do osso ou histologia do holótipo mostrasse que este animal ainda estava crescendo rapidamente”, disse o co-autor Dr. Zach Morris, pesquisador pós-doutoral do Dinosaur Institute. “O que não esperávamos era ver que ele estava próximo da maturidade com evidências claras da cessação do crescimento!”

Para validar este método de análise, a equipe criou um extenso conjunto de dados comparativos. “Para mostrar que a microestrutura do hioide funcionaria para testar o status de maturidade no Nanotyrannus, primeiro tivemos que compilar forte suporte para este método em muitos grupos de répteis vivos e dinossauros extintos”, explicou Dr. Griffin.

O Nanotyrannus era um predador que, embora menor que um T. rex adulto, representava uma espécie madura que habitava o mesmo ambiente durante o período Cretáceo Tardio. Este dinossauro media menos da metade do tamanho de um T. rex adulto e provavelmente competia com indivíduos jovens de T. rex pelos mesmos recursos.

Técnica usada determinava idade de árvores

A pesquisa foi realizada no Dinosaur Institute, parte do Museu de História Natural de Los Angeles County (NHMLAC), em colaboração com o Museu de História Natural de Cleveland. Aliás, os cientistas utilizaram técnicas semelhantes às usadas para determinar a idade das árvores através de seus anéis, analisando fatias finas dos ossos para revelar a idade do animal e a velocidade de seu crescimento.

A série de crescimento do T. rex disponível no NHM foi fundamental para a pesquisa. “Ter uma série de crescimento que já havia sido analisada histologicamente significava que poderíamos comparar o registro de crescimento no hioide e o registro de crescimento nos ossos longos e ver que eles mostram sinais consistentes mesmo nesses predadores gigantes únicos”, explicou Morris.

A Dra. Caitlin Colleary do Museu de História Natural de Cleveland, autora sênior do estudo, destacou os cuidados tomados durante a análise. “Muitas técnicas na paleontologia moderna requerem algum grau de análise destrutiva, e como Curadora, estou sempre tentando encontrar um equilíbrio entre conservação e descoberta. Preservamos os dados anatômicos através de escaneamento 3D e moldagem e fundição do hioide, e ainda há mais dele para análises futuras. Neste caso, valeu totalmente a pena porque ganhamos muito mais do que perdemos.”

“É notável que nosso estudo corresponda a descobertas de outras linhas independentes de evidência. Incluindo uma análise publicada no mês passado, demonstrando que múltiplas espécies de tiranossauros viviam lado a lado. Isso mostra que precisamos reavaliar o que pensamos que esses ecossistemas pareciam”, disse Dr. Morris.

Fim do debate (ou início de outro)

A partir desta descoberta, os paleontólogos precisarão reconsiderar o conhecimento atual sobre os ecossistemas do Cretáceo Tardio. Isso porque, em vez de o T. rex dominar sozinho antes da extinção em massa do final do Cretáceo, a região parece ter abrigado múltiplas espécies de tiranossauros simultaneamente.

Como primeiro Pesquisador de Pós-Doutorado do Dinosaur Institute, Dr. Morris foca em como os processos de desenvolvimento moldam as mudanças evolutivas. “Sou fascinado pelas maneiras como as mudanças durante o desenvolvimento dão origem às características esqueléticas que distinguem dinossauros, aves, crocodilianos e outros vertebrados. Este projeto foi uma colaboração empolgante para estudar padrões de desenvolvimento no registro fóssil diretamente.”

O Dr. Nate Smith, Diretor Gretchen Augustyn e Curador do Dinosaur Institute, comentou: “A expertise de Zach em crescimento e desenvolvimento de dinossauros, juntamente com suas habilidades histológicas, foi um enorme trunfo para este projeto. É mais um exemplo de nossos Pós-Doutorandos do NHMLAC conduzindo pesquisas inovadoras e originais.

Além disso, este estudo também destaca o incrível potencial de coleções museológicas únicas. Isso porque não apenas informam o público, mas também fornecem um terreno rico para novas descobertas científicas.

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