Astrônomos identificaram uma estrutura em forma de barra composta por átomos de ferro na Nebulosa do Anel, utilizando o novo instrumento WEAVE acoplado ao Telescópio William Herschel (WHT), na Espanha. A descoberta foi anunciada após observações realizadas na ilha espanhola de La Palma. Esta formação nunca havia sido detectada anteriormente, apesar de a nebulosa ser um objeto celeste amplamente estudado desde sua primeira observação em 1779.
A estrutura recém-descoberta está localizada na camada interna da nebulosa oval, que se encontra a aproximadamente 2.000 anos-luz da Terra.
De acordo com o Space.com, os cientistas conseguiram visualizá-la graças ao modo “Unidade de Campo Integral Grande” (LIFU) do WEAVE, que utiliza centenas de fibras ópticas para capturar o espectro completo da nebulosa em todos os comprimentos de onda da luz visível. Veja:
Imagem: UCL/WEAVE
Características e dimensões da estrutura de ferro
A “barra de ferro” identificada possui dimensões consideráveis, estendendo-se por uma distância equivalente a 1.000 vezes a separação entre Plutão e o Sol. Além disso, a massa total de ferro presente nesta formação é comparável à do planeta Marte.
A equipe de pesquisa, liderada por Roger Wesson da University College London (UCL), na Inglaterra, publicou os resultados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
“Mesmo que a Nebulosa do Anel tenha sido estudada usando muitos telescópios e instrumentos diferentes, o WEAVE nos permitiu observá-la de uma nova maneira. Fornecendo muito mais detalhes do que antes. Ao obter um espectro continuamente em toda a nebulosa, podemos criar imagens da nebulosa em qualquer comprimento de onda e determinar sua composição química em qualquer posição”, afirmou Roger Wesson, líder da equipe.

Origem ainda desconhecida
A origem desta formação de ferro permanece um mistério para os cientistas. Uma das hipóteses sugere relação com o processo de ejeção das camadas externas da estrela que formou a nebulosa. Por outro lado, a estrutura também pode ter se formado quando a estrela em expansão vaporizou um planeta rochoso que orbitava ao seu redor.
“Quando processamos os dados e rolamos pelas imagens, uma coisa saltou aos olhos com clareza: esta ‘barra’ previamente desconhecida de átomos de ferro ionizados, no meio do familiar e icônico anel”, acrescentou Wesson.
A Nebulosa do Anel (ou Messier 57) é uma “nebulosa planetária”, termo que, apesar do nome, não envolve planetas. Ela representa os restos brilhantes de uma estrela semelhante ao Sol que esgotou seu combustível para fusão nuclear. Liberando assim suas camadas externas enquanto seu núcleo colapsava para formar uma anã branca.
Próximos passos da pesquisa
Os pesquisadores ainda não determinaram se outros elementos químicos coexistem com o ferro recém-detectado. Porém, esta informação seria fundamental para identificar o modelo correto que explique a origem da estrutura.
“Definitivamente precisamos saber mais. Particularmente se outros elementos químicos coexistem com o ferro recém-detectado, pois isso provavelmente nos diria a classe certa de modelo a seguir”, disse Janet Drew, membro da equipe e astrônoma da UCL. “No momento, estamos sem essa informação importante.”
A equipe planeja realizar estudos adicionais com o WEAVE em maior resolução para descobrir o mecanismo por trás da formação desta barra de ferro. Além disso, os cientistas pretendem observar e analisar mais nebulosas criadas de maneira semelhante, buscando identificar estruturas similares.
“A descoberta desta fascinante estrutura previamente desconhecida em uma joia do céu noturno, adorada por observadores do céu em todo o Hemisfério Norte, demonstra as incríveis capacidades do WEAVE”, declarou Scott Trager, Cientista do Projeto WEAVE. “Esperamos muitas mais descobertas deste novo instrumento.”
“Seria muito surpreendente se a barra de ferro na Nebulosa do Anel fosse única”, comentou um dos pesquisadores. “Então, esperamos que, à medida que observamos e analisamos mais nebulosas criadas da mesma maneira, descobriremos mais exemplos desse fenômeno, o que nos ajudará a entender de onde vem o ferro.”
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