Mesmo após oito anos e mais outros dois objetos do tipo, o ‘Oumuamua — o primeiro objeto interestelar a visitar o nosso sistema, em 2017 — continua sendo um mistério aos cientistas. Agora, acredita-se que ele pode ser o fragmento de um corpo celeste similar a Plutão de um outro sistema estelar.
Essa é uma nova teoria que propõe que o ‘Oumuamua seja um fragmento da superfície de um exoplaneta. Em 2018, Steve Desch, da Universidade do Estado do Arizona, nos EUA, surgiu com a hipótese do objeto interestelar ser parte de um “Plutão” de outro sistema estelar pela sua composição quase toda de nitrogênio.
Tal composição é incomum em relação aos outros objetos que vieram de fora do Sistema Solar. Além disso, cometas contêm silicatos, gelo e material orgânico. A composição rica em nitrogênio do ‘Oumuamua, segundo o cientista, indica uma origem mais exótica.
O formato do objeto e a ausência de uma cauda diferenciam ainda mais Oumuamua dos outros objetos interestelares, como o 2I/Borisov e o recente Atlas.
1º objeto interestelar veio de um “Plutão” de outro sistema estelar
Desch e seu colega Alan Jackson, que participou do estudo, sugerem que o primeiro objeto interestelar é um pedaço de nitrogênio congelado que veio de um planeta similar a Plutão em um sistema estelar distante.
O argumento dos cientistas se baseia na teoria de formação do Sistema Solar, que nos primórdios tinha milhares de objetos do tamanho de Plutão que se formaram para além de Netuno.
No caso do ‘Oumuamua, os cientistas argumentam que colisões violentas removeram as camadas externas de hidrogênio, lançando detritos congelados no espaço interestelar.
Aliás, Desch afirma que formações planetárias em outros sistemas também expulsaram fragmentos de modo similar.
“O ‘Oumuamua pode ser um desses fragmentos, pois sua movimentação lenta, bem como seu pequeno tamanho, além da erosão por raios cósmicos sugerem que o objeto é novo pelos padrões cósmicos, com, talvez, menos de dois bilhões de anos. Simulações demonstram que objetos desse tipo se formam durante colisões planetárias e as propriedades atuais do ‘Oumuamua apontam para uma origem em um sistema mais recente, similarmente ao Braço de Perseus, na Via Láctea”, afirmou Desch ao Space.com.
Embora a maioria dos objetos interestelares continuam indetectáveis, Desch afirma que a superfície brilhante de nitrogênio congelado faz o ‘Oumuamua ser inesperadamente visível.
Vale ressaltar que o objeto interestelar já tinha menos de 90% de sua massa original quando os telescópios da Terra conseguiram observá-lo.
Portanto, se a teoria de que o primeiro objeto interestelar a visitar o Sistema Solar seja parte de um planeta similar a Plutão, fragmentos similares ao do planeta anão do nosso sistema pode ser bem mais comum em outros sistemas estelares.
Os cientistas propõem análises mais sistemáticas, usando grandes telescópios, como o ATLAS e o Observatório Vera C. Rubin, para detectar objetos com composições similares.
Por fim, veja os cientistas explicando a teoria sobre a origem do ‘Oumuamua:
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