O que você fala com a IA da Meta vai alimentar anúncios no seu feed

A Meta começa a utilizar os dados das conversas dos usuários com suas ferramentas de inteligência artificial para personalizar anúncios e conteúdos no Facebook e Instagram. A mudança afeta bilhões de usuários em todo o mundo. A empresa iniciou o envio de notificações sobre esta atualização aos usuários desde 7 de outubro.

As informações coletadas das interações com a Meta AI servirão para refinar recomendações de posts, reels e publicidade em todas as plataformas da empresa. Esta estratégia representa uma nova abordagem no uso de dados de primeira mão pela companhia.

Como funcionará a personalização

De acordo com publicação no blog oficial da Meta, a empresa aproveitará essas interações para aprimorar a relevância do conteúdo mostrado aos usuários. “Em breve usaremos suas interações com IA na Meta para personalizar o conteúdo e os anúncios que você vê, incluindo coisas como posts e reels”, afirma o comunicado.

A implementação acontece após um período preparatório que começou em outubro. Durante esse tempo, a empresa enviou alertas por aplicativos e e-mails informando os usuários sobre as mudanças, segundo informações da Reuters.

Estratégia de integração de dados

No centro desta atualização está o plano da Meta de incorporar informações obtidas através de ferramentas de IA generativa, incluindo seu chatbot e recursos disponíveis nos óculos inteligentes Ray-Ban Meta. Estes dados permitirão a criação de conteúdos mais direcionados.

O TechCrunch informa que a Meta pretende comercializar anúncios direcionados baseados diretamente em dados de conversas com IA. Por sua vez, a CNBC descreve a iniciativa como um avanço natural na personalização de anúncios, com a empresa defendendo que essa abordagem é fundamental para melhorar a experiência do usuário.

Privacidade e exceções regionais

A implementação exclui temas sensíveis como saúde e política para minimizar riscos relacionados à privacidade, conforme detalhado pela WebProNews. A Meta garante estar em conformidade com regulamentações de privacidade, prinicpalmente em regiões como União Europeia, Reino Unido e Coreia do Sul.

Mais de um bilhão de usuários mensais globalmente são impactados pela mudança, porém com diferenças importantes entre regiões. Na União Europeia, os usuários podem optar por não permitir o uso desses dados para anúncios, uma concessão aos requisitos do GDPR, como destacado pela Ars Technica. Em contrapartida, usuários nos Estados Unidos e na Índia não terão um mecanismo de recusa, segundo a Business Today.

Reações e críticas

A linguista e crítica de IA Emily Bender manifestou preocupações sobre a atualização. De acordo com a Fortune, Bender alerta que “a mudança poderia incentivar a Meta a projetar sua IA para estimular os usuários a terem ainda mais conversas”, visando coletar mais dados.

Para o mercado publicitário, essa atualização cria novas possibilidades para campanhas altamente direcionadas. O Social Media Today explica que a IA da Meta personalizará não apenas anúncios, mas também feeds de conteúdo em geral a partir de hoje. Publicações no X mostram diferentes reações, com usuários expressando frustração pela ausência de opção de recusa em determinadas regiões.

Por outro lado, a Tata Communications publicou recentemente sobre a necessidade de personalização verdadeira um-para-um além do direcionamento superficial, alertando contra abordagens de dados fragmentados. O Times of India também noticiou a atualização, destacando seu impacto nos anúncios direcionados a partir de conversas com IA.

Especialistas observam que essa abordagem pode influenciar os padrões da indústria. Ainda não está definido como a Meta equilibrará essa nova estratégia de monetização com as crescentes preocupações sobre privacidade de dados.

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