NVIDIA: executivo desmistifica a “bolha de IA” e fala sobre data centers no espaço

Nossa entrevista da semana é com Marcio Aguiar, diretor responsável pela divisão Enterprise da NVIDIA na América Latina. Atualmente, o executivo lidera iniciativas que levam inovação tecnológica às empresas parceiras por meio de ferramentas alimentadas por inteligência artificial.

Márcio é graduado em Administração pela Loyola Marymount University, em Los Angeles, na Califórnia. Em 2023 e em 2024, foi eleito uma das 500 personalidades mais influentes da América Latina pela Bloomberg Línea. O diretor possui mais de 14 anos de experiência na  NVIDIA.

A Outro Prompt, o executivo falou sobre as estratégias da empresa para se manter competitiva no mercado, desafios do segmento de inteligência artificial e até das preocupações de especialistas em relação a uma possível “bolha de IA”. Confira a entrevista a seguir:

Outro Prompt: Atualmente, a NVIDIA domina o mercado de hardware para treinamento de modelos de IA. Quais são as estratégias da empresa para manter esta liderança, considerando que organizações concorrentes, como a AMD, também dispõem de tecnologias competitivas e gigantes, como Microsoft e Google, já investem em soluções próprias para diminuir a dependência do hardware da NVIDIA?

Marcio Aguiar: Um dos motes que norteia a atuação da NVIDIA no mercado é procurar estar em constante evolução, o que nos deixa sempre um passo à frente. O nosso mindset é voltado não apenas para suprir as demandas atuais, mas também para antecipar o que as empresas ainda nem sabem que vão precisar. Trabalhamos para além da aplicação imediata de uma tecnologia, entendendo como essa inovação pode evoluir e impactar o ecossistema nos próximos anos.

Cada solução nasce com base na integração de sistemas já existentes, escalabilidade e longevidade tecnológica. Por isso, independente das movimentações do mercado, essa atitude nos ajuda não apenas acompanhar as tendências, mas ditá-las. Além disso, vale pontuar que a NVIDIA evoluiu ao ponto de hoje conseguir oferecer soluções para todas as etapas da cadeia. Contamos com uma estrutura full-stack, que nos permite contribuir com diversas vertentes, tamanhos e segmentos do mercado.

Outro Prompt: A forte demanda por GPUs de alta performance tem gerado preocupações sobre a capacidade de produção e fornecimento de chips. A TSMC revelou que, neste momento, a demanda global por processadores avançados é três vezes maior que a capacidade atual de suas instalações. Como a NVIDIA está trabalhando com parceiros de fabricação (em especial a TSMC) para aumentar a capacidade de produção e garantir que a escassez de fornecimento não seja um empecilho para o crescimento do mercado de IA?

Marcio: A NVIDIA encara a alta demanda como um desafio que exige planejamento e atuação próxima com toda a cadeia de fornecedores. Dessa forma, procuramos atuar de forma proativa. Ou seja, antecipamos as necessidades do mercado com antecedência, projetamos nossos chips para serem escaláveis e facilmente fabricáveis, e mantemos uma parceria próxima com foundries e fornecedores de confiança. Assim, conseguimos minimizar gargalos e garantir que o crescimento do setor de IA não seja limitado pela disponibilidade de componentes.

Outro Prompt: No início do mês, a NVIDIA enviou uma GPU para o espaço para analisar como seria o funcionamento de data centers na órbita da Terra. Segundo as informações disponíveis sobre o projeto, data centers de IA no espaço resolveriam desafios como a alta demanda de energia elétrica e consumo de água potável, uma vez que teriam energia solar infinita e poderiam utilizar o vácuo do espaço profundo para resfriamento do hardware. Data centers no espaço são realmente viáveis? Existem mais soluções alternativas que podem ser exploradas no futuro?

Marcio: Acreditamos que data centers em órbita são viáveis devido à energia solar contínua e de baixo custo, bem como ao resfriamento natural proporcionado pelo vácuo do espaço profundo, que elimina a necessidade de água e reduz emissões. A parceria com a Starcloud, do programa Inception, avança exatamente nesse sentido.

Essa abordagem representa uma alternativa sustentável e promissora para os desafios futuros da computação em larga escala. Embora os benefícios potenciais sejam claros, esse modelo ainda está em fase de análise e exigirá tempo para amadurecer. Continuaremos acompanhando de perto esses avanços, sobretudo porque consideramos essencial observar de forma responsável as inovações que podem redefinir o futuro da computação em larga escala.

Outro Prompt: A NVIDIA lidera o segmento de hardware essencial para treinamento e desenvolvimento de modelos de IA, mas enfrenta restrições de comercialização de chips avançados para a China. Nas últimas semanas, o governo americano tem dado sinais de que pode flexibilizar as restrições e liberar o fornecimento das GPUs H200 para o mercado chinês. Com acesso a este hardware de ponta, as empresas chinesas poderão desenvolver modelos equivalentes aos das gigantes americanas?

Marcio: A NVIDIA fornece tecnologias essenciais para o desenvolvimento de IA, sempre em conformidade com as regulamentações internacionais aplicáveis. Não realizamos comparações entre regiões. Nosso compromisso é oferecer soluções completas, confiáveis e de alto desempenho para que todos os clientes possam desenvolver e escalar seus projetos de inteligência artificial de maneira eficiente. Atuamos seguindo integralmente as diretrizes estabelecidas pelo governo dos Estados Unidos e pelas autoridades regulatórias de cada região onde operamos.

Outro Prompt: Com o boom da IA, algumas empresas, incluindo a NVIDIA, tiveram um aumento significativo em valor de mercado. Diante deste cenário, alguns executivos de grandes empresas de tecnologia e especialistas em economia estão alertando para uma possível “Bolha da IA” semelhante à “Bolha da Internet” dos anos 2000. Você considera os investimentos em infraestrutura compatíveis com o real retorno das ferramentas de IA?

Marcio: Outro ponto que vale reforçar é que não acreditamos no termo “bolha de IA”. Nós estamos apenas começando nessa jornada tecnológica e ainda há muito a ser feito e explorado. Em relação aos investimentos em infraestrutura, acreditamos que agregam sim um valor real, principalmente, no médio e longo prazo.

A IA permite às empresas automatizar processos complexos, analisar grandes volumes de dados com mais rapidez e precisão, melhorar a tomada de decisão estratégica, criar produtos e serviços mais personalizados e aumentar a eficiência operacional, o que reflete em competitividade de mercado e redução de custos, indispensáveis nos dias de hoje.

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