O ano de 2024 pode ter sido o mais quente da Terra em 125 mil anos, segundo um relatório climático de pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon, nos EUA. Isso significa que o planeta está “à beira do colapso” e seus “sinais vitais estão piscando em vermelho”.
O novo relatório sugere que o ano também foi provavelmente mais quente do que o pico do último período interglacial, há aproximadamente 125 mil anos. Na época, mudanças naturais na órbita e inclinação da Terra tornaram o planeta mais quente e o nível do mar vários metros mais alto.
De acordo com o estudo, publicado na BioScience, 22 dos 34 indicadores mensuráveis da saúde da Terra atingiram extremos recordes. Isso inclui, por exemplo, os níveis de gases de efeito estufa, aquecimento dos oceanos, gelo marinho e desmatamento.
Os autores alertam que a humanidade está em um “estado de sobrecarga ecológica”. Ou seja, consumindo recursos do planeta mais rapidamente do que eles podem ser repostos.
“A crise climática entrou em uma fase de emergência e cada décimo de grau de aquecimento evitado faz diferença”, disse William Ripple, professor de ecologia da Universidade Estadual do Oregon e um dos autores, ao Space.com.
Além disso, o relatório mostra que gases que contribuem para o aquecimento global atingiram recordes novamente em 2025. Segundo os pesquisadores, o aquecimento contínuo resulta de uma combinação de vários fatores. Por exemplo, menos aerossóis refletores da luz solar na atmosfera, permitindo que o calor se acumule.
E o escurecimento do planeta devido ao derretimento do gelo e à redução da cobertura de neve, expondo superfícies escuras que absorvem mais calor.
Como o aquecimento global está afetando o planeta?
Os efeitos dessas tendências são visíveis, incluindo no aquecimento oceânico recorde e nas massas de gelo da Groenlândia e da Antártida em níveis historicamente baixos.
Nas florestas, dados de satélite da equipe descobriram que a perda global de cobertura arbórea atingiu 29,6 milhões de hectares em 2024, o segundo maior total já registrado. Essas tendências ilustram que as redes de segurança naturais contra as mudanças climáticas, como florestas, solos e outros ecossistemas, estão “começando a falhar”, segundo Ripple.
Na Amazônia brasileira, entretanto, o desmatamento caiu cerca de 30% em 2024, atingindo o menor nível em nove anos, de acordo com os autores. Agora, perto da cúpula climática das Nações Unidas no Brasil, em novembro de 2025, os cientistas esperam que as descobertas pressionem os líderes mundiais a tomarem medidas contra esses riscos.
Para Ripple, a rápida expansão das energias renováveis, principalmente a solar e a eólica, seriam “provavelmente a alavanca mais poderosa” para combater o problema.
Bill Gates opina sobre o colapso da Terra
Quem também comentou sobre a cúpula global do clima, COP30, foi Bill Gates, nesta terça-feira (28). Em um memorando, o bilionário da Microsoft, que já investiu mais de US$ 2 bilhões em tecnologia verde, mudou de tom.
Ele afirmou que, embora a mudança climática ainda seja um grande problema, cenários climáticos apocalípticos para a Terra enfatizam demais a redução das emissões, “desviando recursos das medidas mais eficazes que deveríamos estar tomando para melhorar a vida em um mundo em aquecimento”.
Contudo, o Dr. Daniel Swain, cientista climático da Universidade da Califórnia, classificou o memorando como uma “interpretação equivocada de tirar o fôlego”. Ele alegou que o texto demonstra falta de compreensão do que um aquecimento de 2 ou 3 graus Celsius significaria para o mundo (via CBS News).
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