Os astronautas que viajam pelo espaço podem envelhecer mais rápido, de acordo com um novo estudo sobre células-tronco. Isso é um problema, principalmente, em missões de longa duração, como viagens ao planeta Marte, por exemplo.
Cientistas do Departamento de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade da Califórnia, em San Diego, descobriram que as células-tronco da médula óssea ficam inesperadamente ativas após 45 dias de viagem espacial.
O estudo, publicado na última quinta-feira (4), detalha como essa atividade nas células-tronco consumiram as reservas de energia e apresentaram sinais de envelhecimento precoce em astronautas.
Catriona Jamieson, principal autora do estudo e chefe do laboratório de pesquisa sobre medula óssea e células-tronco, analisou astronautas de quatro missões da SpaceX à ISS, entre 2021 e 2023.
No estudo, os cientistas utilizaram sistemas de biorreatores em escala nanométrica com inteligência artificial para monitorar a atividade celular em tempo real.
Desse modo, o estudo revelou que a microgravidade e a radiação forçam células adormecidas a entrarem em um estado de atividade constante.
Análise de células-tronco identifica maior risco de doenças em astronautas
A exposição de astronautas ao espaço em períodos de 32 a 45 dias mostra que as células-tronco hematopoiéticas geram menos células sanguíneas. Portanto, o espaço interfere na produção de glóbulos vermelhos e brancos, bem como aceleram a diminuição de telômeros, marcadores do envelhecimento das células.
Além de danos no DNA, o espaço também amplia o stress e a inflamação mitocondrial, afetando a imunidade e aumentando o risco de doenças.
“O espaço é a última fronteira para testar o corpo humano. As descobertas do nosso estudo são muito importantes porque mostram que elementos do espaço podem acelerar o envelhecimento molecular de células-tronco”, afirma Catriona Jamieson.
Jamieson se baseou no “Estudo dos Gêmeos”, que observou as mudanças genéticas e fisiológicas do astronauta Scott Kelly, mas focando células-tronco.
Aliás, este é o primeiro estudo a monitorar células-tronco no espaço em tempo real, identificou reações similares em pacientes com sintomas de pré-leucemia.
Por outro lado, o funcionamento das células-tronco volta ao normal na Terra, de acordo com dados preliminares de um estudo da mesma equipe.
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