Nova espécie de peixe-boi em miniatura é descoberta em fósseis do Catar

Uma equipe de pesquisadores do Museu Nacional de História Natural do Smithsonian e do Qatar Museums identificou uma nova espécie de peixe-boi. Ele habitou o Golfo Arábico há cerca de 21 milhões de anos.

A revista científica PeerJ publicou a descoberta. Os cientistas encontraram os fósseis no sítio arqueológico de Al Maszhabiya, no sudoeste do Catar. Ele é o maior depósito fóssil de peixes-boi já documentado no mundo.

A espécie, batizada de Salwasiren qatarensis, era consideravelmente menor que os dugongos atuais e pesava aproximadamente 113 kg, equivalente ao peso de um panda adulto ou um boxeador peso-pesado. Conforme reportado pelo ScienceDaily, este tamanho contrasta com alguns dugongos modernos, que podem atingir quase oito vezes esse peso.

O nome da espécie faz referência à Baía de Salwa, próxima ao local da descoberta, e ao país onde os fósseis foram encontrados. “Pareceu apenas apropriado usar o nome do país para a espécie. Já que aponta claramente para onde os fósseis foram descobertos”, disse Ferhan Sakal, do Qatar Museums.

Os fósseis foram localizados a menos de 16 quilômetros de uma baía onde atualmente existem pradarias de ervas marinhas que servem de habitat para os dugongos modernos. Esta proximidade geográfica permite estabelecer comparações diretas entre os ecossistemas antigos e atuais.

“Descobrimos um parente distante dos dugongos em rochas a menos de 16 quilômetros de uma baía com pradarias de ervas marinhas que constituem seu principal habitat hoje”, afirmou Nicholas Pyenson, curador de mamíferos marinhos fósseis do Museu Nacional de História Natural. “Esta parte do mundo tem sido um habitat privilegiado para peixes-boi nos últimos 21 milhões de anos. Só que o papel do peixe-boi foi ocupado por diferentes espécies ao longo do tempo”, complementou.

História da descoberta

A identificação da nova espécie ocorreu após décadas de investigação. Geólogos encontraram o sítio pela primeira vez nos anos 1970, durante pesquisas de mineração e petróleo, inicialmente confundindo os ossos com restos de répteis. Somente no início dos anos 2000, paleontólogos identificaram corretamente os fósseis como pertencentes a peixes-boi antigos.

“A área era chamada de ‘cemitério de dugongos’ entre os membros de nossa autoridade”, disse Sakal. “Mas na época, não tínhamos ideia de quão rico e vasto o depósito de ossos realmente era.”

Em 2023, após obterem as permissões necessárias, Pyenson, Sakal e sua equipe realizaram um levantamento completo do local. Os cientistas documentaram restos de peixes-boi em mais de 170 locais diferentes no sítio de Al Maszhabiya. Além disso, a densidade do depósito de fósseis fornece evidências de que abundantes leitos de ervas marinhas existiam na região há mais de 20 milhões de anos.

Características da espécie

Diferente dos dugongos modernos, o Salwasiren qatarensis ainda possuía ossos de membros traseiros, estruturas que os dugongos e peixes-boi atuais perderam durante sua evolução. Além disso, a espécie pré-histórica também apresentava um focinho mais reto e presas menores.

“A densidade do depósito de ossos de Al Maszhabiya nos dá uma grande pista de que o Salwasiren desempenhou o papel de engenheiro do ecossistema de ervas marinhas no início do Mioceno, da mesma forma que os dugongos fazem hoje”, disse Pyenson. “Houve uma substituição completa dos atores evolutivos, mas não de seus papéis ecológicos.”

Por outro lado, os pesquisadores ainda não sabem se existem outras espécies de peixes-boi no mesmo sítio arqueológico. Pyenson observou que fósseis de peixes-boi frequentemente aparecem em grupos de espécies mistas. Tornando assim provável que pesquisas adicionais no local possam revelar outros parentes dos dugongos.

Preservação e digitalização

Para preservar este patrimônio paleontológico, a equipe planeja nomear o sítio para reconhecimento como Patrimônio Mundial da UNESCO. Além disso, os pesquisadores trabalharam com o Escritório de Digitalização do Smithsonian para criar modelos 3D de vários locais fósseis e partes do esqueleto da nova espécie.

“Se pudermos aprender com registros passados como as comunidades de ervas marinhas sobreviveram ao estresse climático ou a outros distúrbios importantes, como mudanças no nível do mar e alterações de salinidade, podemos estabelecer metas para um futuro melhor do Golfo Arábico”, disse Sakal.

“Os dugongos são parte integrante de nosso patrimônio. Não apenas como uma presença viva em nossas águas hoje, mas também no registro arqueológico que nos conecta às gerações passadas”, disse Faisal Al Naimi, coautor e diretor do Departamento de Arqueologia do Qatar Museums.

“As descobertas em Al Maszhabiya nos lembram que este patrimônio não está confinado apenas à memória ou tradição. Porém, se estende profundamente no tempo geológico, reforçando a relação atemporal entre nosso povo e o mundo natural. Ao preservar e estudar estas criaturas notáveis, também estamos salvaguardando uma narrativa que fala da identidade, resiliência e conexão duradoura de nossa nação com o mar.”

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