Cientistas do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian (CfA), nos EUA, identificaram evidências concretas da existência de Siwarha, uma estrela companheira que orbita Betelgeuse. A descoberta foi feita após quase oito anos de observações com o Telescópio Espacial Hubble da NASA e observatórios terrestres.
Os pesquisadores detectaram um rastro de gás denso na atmosfera da supergigante vermelha que confirma a presença da companheira estelar. As observações revelaram alterações no espectro da estrela e na velocidade e direção dos gases em sua atmosfera externa.
Esta descoberta resolve um dos grandes mistérios sobre Betelgeuse, incluindo seu comportamento e evolução. Isso porque ela pode ajudar a explicar o escurecimento da estrela em 2020 e a variação de brilho de Betelgeuse ao longo do tempo.
Os astrônomos suspeitavam há tempos da existência dessa companheira, mas faltavam provas concretas até o momento.
A equipe utilizou o Hubble e telescópios terrestres no Observatório Fred Lawrence Whipple, nos EUA, e no Observatório Roque de Los Muchachos, na Espanha, para monitorar as alterações na luz da estrela durante anos.
Características de Betelgeuse e sua companheira
Betelgeuse está localizada a aproximadamente 650 anos-luz da Terra na constelação de Órion. Suas dimensões são extraordinárias. Seu volume poderia acomodar mais de 400 milhões de estrelas como o Sol.
Devido ao seu tamanho e proximidade relativa, Betelgeuse é uma das poucas estrelas que astrônomos podem observar a superfície e atmosfera diretamente. Ou seja, ela é um importante objeto de estudo para compreender o envelhecimento estelar.
Os dados coletados mostram dois períodos distintos de variação que intrigavam os cientistas: um ciclo curto de 400 dias, relacionado a pulsações internas da própria estrela, e um ciclo longo de 2.100 dias.
“É um pouco como um barco se movendo na água. A estrela companheira cria um efeito de ondulação na atmosfera de Betelgeuse que podemos realmente ver nos dados,” disse Andrea Dupree, astrônoma do CfA e autora principal do estudo.
Confirmação de teorias anteriores
O rastro detectado aparece justamente quando Siwarha cruza na frente de Betelgeuse a cada seis anos, ou aproximadamente 2.100 dias, confirmando modelos teóricos anteriores.
“A ideia de que Betelgeuse tinha uma companheira não detectada vinha ganhando popularidade nos últimos anos, mas sem evidências diretas, era uma teoria não comprovada,” explicou Dupree. “Com esta nova evidência direta, Betelgeuse nos dá um lugar na primeira fila para observar como uma estrela gigante muda ao longo do tempo. Encontrar o rastro de sua companheira significa que agora podemos entender como estrelas como esta evoluem, liberam material e eventualmente explodem como supernovas.”
Ainda não se conhecem todos os detalhes sobre Siwarha, como sua composição exata ou como ela se formou tão próxima de Betelgeuse.
Os astrônomos já planejam novas observações para 2027, quando Siwarha deverá emergir novamente, já que atualmente Betelgeuse está eclipsando sua companheira do nosso ponto de vista. Assim, esta descoberta também poderá ajudar a explicar fenômenos semelhantes observados em outras estrelas gigantes.
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