Uma equipe internacional de cientistas descobriu que a redução nas concentrações de cálcio nos oceanos foi responsável pela transformação da Terra de um planeta tropical para o mundo com calotas polares que conhecemos hoje. O Proceedings of the National Academy of Sciences publicou a pesquisa, liderada pela Universidade de Southampton, no Reino Unido. Ela revelou que os níveis de cálcio nos mares caíram mais da metade nos últimos 66 milhões de anos.
Esta diminuição provocou a absorção de dióxido de carbono da atmosfera, resultando em um resfriamento global significativo após a extinção dos dinossauros. Isso porque a alteração na composição química da água do mar modificou como o carbono era armazenado e liberado pelos oceanos.
De acordo com o Phys, esta descoberta representa um avanço significativo na compreensão dos mecanismos que controlam as mudanças climáticas de longo prazo no planeta.
Colaboração internacional para desvendar mistério climático
O estudo contou com a participação de cientistas da China, Estados Unidos, Israel, Dinamarca, Alemanha, Bélgica e Holanda, além dos pesquisadores britânicos que lideraram o trabalho.
As descobertas basearam-se na análise de fósseis de pequenos organismos marinhos extraídos de sedimentos do fundo do mar. Em laboratórios especializados, a equipe construiu o registro mais detalhado da química oceânica já produzido.
Evidências em fósseis marinhos
Os dados obtidos mostram que os níveis de cálcio eram duas vezes mais elevados no início da Era Cenozoica comparados aos atuais. A composição química dos fósseis de foraminíferos revelou uma estreita conexão entre a quantidade de cálcio na água do mar e a concentração de dióxido de carbono atmosférico.
Assim, esta redução nos níveis de cálcio está associada a uma queda de temperatura de 15 a 20 graus Celsius no clima terrestre. Porém, o estudo não menciona outros fatores que possam ter contribuído para esta mudança climática além da alteração na química oceânica.
Dessa forma, partir destes achados, os cientistas poderão desenvolver novos modelos para compreender melhor a história climática do planeta. Além disso, pode prever futuras alterações climáticas baseadas em mudanças na química dos oceanos.
Declarações dos pesquisadores
Dr. David Evans, cientista oceânico e terrestre de Southampton e autor principal do estudo, afirmou: “Nossos resultados mostram que os níveis de cálcio dissolvido eram duas vezes mais altos no início da Era Cenozoica, logo após os dinossauros habitarem o planeta, em comparação com hoje. Quando esses níveis eram altos, os oceanos funcionavam de maneira diferente, armazenando menos carbono na água do mar e liberando dióxido de carbono no ar. À medida que esses níveis diminuíram, o CO2 foi sugado da atmosfera. E a temperatura da Terra seguiu, reduzindo assim nosso clima em até 15 a 20 graus Celsius.”
Dr. Xiaoli Zhou, da Universidade Tongji na China, explicou: “O processo efetivamente retira o dióxido de carbono da atmosfera da Terra e o bloqueia. Essa mudança poderia ter alterado a composição da atmosfera, efetivamente reduzindo o termostato do planeta.”
O Professor Yair Rosenthal, da Universidade Rutgers nos EUA, acrescentou: “A química da água do mar é tipicamente vista como algo que responde a outros fatores que levam a mudanças em nosso clima, em vez de ser a própria causa. Mas nossa nova evidência sugere que devemos olhar para a mudança na química da água do mar para entender a história climática do nosso planeta.”
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