Uma equipe de astrônomos usou dados da missão Gaia, da ESA, para criar o mapa 3D com 44 milhões de estrelas nas regiões de formação estelar da Via Láctea.
O modelo em 3D cobre uma distância de quatro mil anos-luz da Terra, tendo o Sol como centro, revelando não somente milhões de estrelas, mas também as nebulosas que formam novas estrelas.
Vale ressaltar que o mapa representa um grande salto no estudo da estrutura local da Via Láctea. Embora seja fácil a observação da galáxia pela Terra, o seu tamanho — cerca de 100 mil anos-luz em diâmetro — torna quase impossível enxergar a galáxia externamente.
No entanto, a missão Gaia, que começou em 2014 e teve fim em março deste ano, coletou dados de milhões de estrelas e nebulosas, criando um enorme dataset, que possibilitou o desenvolvimento do mapa em 3D.
Os cientistas usaram os dados para superar um desafio antigo: mapear as regiões de formação de estrelas. Nuvens espessas de poeira e gás escondem essas regiões, obscurecendo a luz visível e, consequentemente, afetando cálculos que medem a distância.
44 milhões de estrelas: como os dados da missão Gaia ajudaram a criar o mapa
O mapa em 3D só foi possível porque a missão Gaia conseguiu driblar esse obstáculo ao medir a extinção estelar, conceito astronômico que mede a quantidade de luz bloqueada pela poeira.
Com o método da sonda da ESA, os cientistas conseguiram identificar a localização dessas nuvens que formavam estrelas e usaram para reconstruir a distribuição de hidrogênio ionizado (H II).
O H II é um dos principais marcadores para confirmar formações estelares ativas. As regiões H II permitiram a criação do mapa 3D que, além de contar com 44 milhões de estrelas, inclui 87 estrelas de classe O.
Na classificação estelar, a classe O agrupa estrelas raras e extremamente quentes, com pouco tempo de vida, mas que emitem radiação ultravioleta muito intensa.
Aliás, essa intensa radiação remove elétrons de átomos de hidrogênio, resultando em nuvens de gás ionizado, formando regiões H II. A temperatura efetiva de estrelas de classe O chega até 54.700 °C, 10 vezes maior que a do Sol.
As emissões de estrelas de classe O, além de marcarem regiões de formação estelar, também são responsáveis por formar a estrutura de ambientes interestelares próximos.
Essa radiação permite que as regiões sejam visíveis através de observações indiretas, conforme explica Sasha Zeegers, cientista da ESA e especialista em poeira interestelar.
Mapa 3D é só o começo
De acordo com Lewis McCallum, da Universidade de St. Andrews, na Escócia, o mapa 3D é a primeira vez em que uma simulação de gás ionizado “corresponde tão bem com dados de observações de outros telescópios”.
McCallum é o principal autor do estudo que gerou o mapa 3D de 44 milhões de estrelas. O cientista se baseou em um estudo de 2024 que também usou dados da missão Gaia para criar um mapa da poeira da nossa galáxia.
O novo mapa combina os dados do modelo anterior com as estrelas de classe O para visualizar as regiões de formação estelar. Desse modo, o modelo oferece uma perspectiva de cima para baixo da Via Láctea.
Além disso, o mapa apresenta sobrevoos dinâmicos em 3D de regiões conhecidas, como a Nebulosa de Gum e Superbolha de Órion-Erídano. Veja:
De acordo com a ESA, o mapa 3D, que inclui modelos anteriores que usaram observações da missão Gaia para catalogar 44 milhões de estrelas, não será o último.
A Agência Espacial Europeia revelou a data de lançamento do quarto dataset da missão: dezembro de 2026. Com isso, será possível expandir ainda mais o mapa.
The post Missão Gaia revela mapa 3D que mostra 44 milhões de estrelas; veja appeared first on Giz Brasil.