Medo é contagioso? Ciência diz que sim

O medo é biologicamente contagioso entre humanos, segundo a ciência. E sua transmissão pode ocorrer sem que uma pessoa perceba.

Indivíduos podem desenvolver temores apenas ao observar reações de outras pessoas em situações de ameaça — um comportamento enraizado na evolução como estratégia de sobrevivência. Aliás, o processo ocorre principalmente por meio da amígdala cerebral, região responsável por respostas rápidas a situações de perigo.

Segundo o psicólogo Arash Javanbakht, em entrevista ao Popular Science, os humanos aprendem socialmente o que temer.

“Somos criaturas sociais que aprendem com os outros. Quando estamos perto de alguém com medo, tendemos a sentir medo também.”

Em experimentos controlados, pesquisadores observaram reações cerebrais e comportamentais de voluntários expostos a sinais emocionais alheios.

Um estudo coletou o suor de paraquedistas e colocou em almofadas que outros participantes cheiraram. Os exames de neuroimagem revelaram maior ativação da amígdala nesses casos, evidenciando que o medo pode ser contagioso por meio de sinais químicos subconscientes.

O medo contagioso afeta pessoas de todas as idades e origens, embora os efeitos variem com fatores como empatia, histórico de vida e genética. Indivíduos mais empáticos demonstram respostas emocionais mais intensas ao presenciar o medo nos outros.

O psiquiatra Jacek Debiec destaca que emoções sociais, como o medo, não são vivenciadas individualmente. Elas são também comunicadas e compartilhadas, contribuindo para a compreensão mútua e a coesão social.

“O medo pode ser transmitido por diversos meios. Humanos dependem fortemente da visão e audição, enquanto outros animais usam odores e sinais auditivos.”

Além disso, as implicações vão além do laboratório. A genética também faz o medo ser contagioso, conforme estudos com descendentes de sobreviventes do Holocausto, que apresentam maior sensibilidade ao perigo.

Embora medo contagioso seja útil em contextos de risco real, os cientistas alertam que ele também pode ser problemático em ambientes onde o medo é desnecessário ou disfuncional, como em casos de ansiedade coletiva ou pânico social.

“O medo precisa ser contagioso. É um sistema primitivo, moldado por ameaças físicas, e ainda hoje influencia como reagimos ao mundo ao nosso redor”, conclui Javanbakht.

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