Uma equipe internacional de pesquisadores criou um mapeamento do antigo sistema viário romano. Agora, qualquer pessoa pode explorar a ferramenta de visualização, descobrindo como os antigos romanos se deslocavam. Os pesquisadores divulgaram as descobertas na revista Scientific Data. As informações são da CNN.
Em seu auge, o Império Romano estendia-se da atual Grã-Bretanha ao Egito e à Síria, expandindo-se com sua rede de estradas. Com 100 mil quilômetros de rotas, o mapa traça o sistema viário romano por volta de 150 d.C., segundo o Dr. Pau de Soto, coautor do estudo.
O mapa é um projeto em evolução, no qual os autores esperam adicionar ainda as conexões marítimas e fluviais e explorar a evolução cronológica das estradas. Por enquanto, ele ajuda a identificar rotas para migração, dispersão de mercadorias, circulação de doenças ou disseminação de ideias.
Entre os habitantes do Império Romano, os egípcios dependiam principalmente de camelos, enquanto em outras regiões do império, as pessoas viajavam a cavalo ou em carroças e mulas de carga. Às vezes, usavam bigas ou caminhavam, segundo a Dra. Catherine Fletcher, professora da Universidade Metropolitana de Manchester, no Reino Unido.
Algumas estradas eram pavimentadas, mas longe da civilização, eram cobertas por uma camada de pequenas pedras. Ainda é possível caminhar por algumas delas, como por exemplo a Via Ápia, que leva a Roma. Embora as estradas sejam famosas, o novo conjunto de dados oferece uma visão mais ampla para estudiosos e quem desejar explorar essa história.
O mapa pode ser explorado aqui!
Como foi feito o mapa das estradas romanas?
Para elaborar o mapa, Itiner-e, os pesquisadores cruzaram informações de diversos registros históricos, imagens de satélite, fotografias aéreas e mais. O mapa permite calcular o tempo de viagem entre diferentes locais e destacar lacunas no conhecimento científico.
“O Império Romano foi o primeiro exemplo de uma unidade política e econômica integrada em escala continental”, disse Tom Brughmans, coautor do estudo e professor associado de arqueologia clássica na Universidade de Aarhus, na Dinamarca. “Esse período reestruturou fundamentalmente a infraestrutura de transporte na região, em uma escala nunca vista até a revolução industrial do século XIX, e agora temos o conjunto de dados que nos permite estudar como a mobilidade terrestre mudou ao longo de 2.000 anos.”
Conectando as informações de 200 anos de pesquisa, eles revelaram centenas de milhares de lugares antigos, como cidades e vilas romanas. Já comparando evidências históricas, como itens de escavações ou registros de viagens da época, revelaram vestígios das estradas, descobrindo algumas atualmente escondidas sob represas.
Porém, somente 2,7% das estradas têm localização exata comprovada, enquanto 90% do mapa é conhecido com menor precisão, e os 7% restantes são hipotéticas. Isso ressalta a importância de mapear partes menos conhecidas do antigo império, já que há muitos lugares sem estradas que levem até eles.
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