Lua vulcânica iO, de Júpiter, emite calor 100 vezes maior que o estimado

Usando dados da sonda Juno, da NASA, cientistas descobriram que lua vulcânica Io, de Júpiter, libera quantidades de calor centenas de vezes superiores às estimativas anteriores.

Em um estudo publicado no último dia 5, cientistas do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália, reavaliaram os dados coletados pelo instrumento JIRAM, da Juno.

O estudo corrige uma falha metodológica que analisava somente a banda M do espectro infravermelho, subestimando drasticamente o calor que a lua Io emitia.

De acordo com o estudo, os dados anteriores se limitavam às temperaturas mais altas, ignorando amplas áreas mais frias com muitos lagos de lava. Frederico Tosi, principal autor do estudo, afirmou que a equipe calculou o fluxo térmico real da superfície da lua de Júpiter.

Vulcões de Io explicam maior liberação de calor em lua de Júpiter

A nova análise, além de mostrar que a lua mais vulcânica de Júpiter emite 100 vezes mais calor, demonstrou que somente 17 dos 266 vulcões no satélite são responsáveis por metade da energia térmica de Io.

“Nos últimos anos, vários estudos propuseram que a distribuição de calor emitido por Io, medida no espectro infravermelho, poderia nos ajudar a entender se existia um oceano global de magma sob sua superfície. No entanto, comparando esses resultados com outros dados da Juno e modelos térmicos mais detalhados, percebemos que algo não estava certo: os valores de saída térmica pareciam muito baixos em comparação com as características físicas de lagos de lava conhecidos”, explicou Tosi.

A reanálise desafia, portanto, modelos anteriores que sugeriam um oceano global de magma sob a crosta da lua Io.

Os cientistas destacam que a nova observação de distribuição térmica não condiz com o padrão de um oceano de magma subterrâneo. Em vez disso, os vulcões que os cientistas analisaram apresentam um anel brilhante e quente. Tal anel fica ao redor de uma crosta central mais fria, mas significativamente maior em área.

Esse padrão faz com que a banda M, sensível apenas ao calor extremo, registre apenas as “chamas” dos vulcões. Tosi afirma que, na prática, é “como estimar o brilho de uma fogueira observando apenas as chamas e não as brasas ao redor”.

Considerando as áreas menos incandescentes, os cientistas concluíram que o balanço energético de Io é muito mais intenso, resultando em uma atividade vulcânica muito maior na lua de Júpiter.

No entanto, os cientistas ressaltam não ser possível confirmar ou refutar a existência de um oceano de magma sob a lua de Júpiter devido à limitação dos dados.

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