A Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China (CASC) anunciou planos para lançar data centers de IA no espaço nos próximos cinco anos. O anúncio foi feito nesta semana pela mídia estatal chinesa CCTV. A emissora revelou uma iniciativa que compete diretamente com os projetos espaciais de Elon Musk e sua empresa SpaceX.
De acordo com o plano quinquenal divulgado, a CASC, principal contratante espacial da China, comprometeu-se a “construir infraestrutura digital/inteligente de classe gigawatt no espaço”.
De acordo com a Reuters, os centros de dados chineses serão projetados para “integrar capacidades de nuvem, borda e terminal”. Além disso, a ideia é alcançar a “integração profunda de poder computacional, capacidade de armazenamento e largura de banda de transmissão”.
Competição com a SpaceX de Musk
A iniciativa chinesa surge como resposta direta aos planos da SpaceX, que pretende utilizar recursos de sua oferta pública inicial (IPO) de US$ 25 bilhões, prevista para este ano, para desenvolver centros de dados orbitais de IA. Tanto a China quanto a empresa de Musk buscam contornar as limitações energéticas terrestres com soluções espaciais.
Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na semana passada, Musk declarou: “É óbvio construir centros de dados de energia solar no espaço… o lugar mais barato para colocar IA será o espaço, e isso será verdade dentro de dois anos, três no máximo”. O empresário destacou que painéis solares em órbita podem gerar cinco vezes mais energia que instalações terrestres.
Planos ambiciosos para 2030
A China também planeja transferir para o espaço o processamento intensivo de IA. Um documento de política da CASC de dezembro revela que o país pretende utilizar centros de “classe gigawatt” alimentados por energia solar para criar uma “Nuvem Espacial” em escala industrial até 2030.
Este projeto faz parte de uma estratégia mais ampla, sendo identificado como pilar central do próximo 15º Plano Quinquenal da China, roteiro fundamental para o desenvolvimento econômico do país.
Turismo espacial e exploração comercial
Além dos centros de dados, o plano da CASC também promete “alcançar a operação de voos de turismo espacial suborbital e gradualmente desenvolver o turismo espacial orbital” nos próximos cinco anos, conforme reportado pela CCTV.
China e Estados Unidos competem para transformar a exploração espacial em um negócio comercialmente viável, semelhante à aviação civil. Isso porque, paralelamente, ambos buscam vantagens militares e estratégicas na dominação espacial. Neste contexto, a CASC prometeu transformar a China em uma “potência espacial líder mundial” até 2045.
Desafios tecnológicos e avanços recentes
Um obstáculo significativo para Pequim tem sido sua incapacidade de completar um teste de foguete reutilizável. Em contrapartida, o Falcon 9 da SpaceX permitiu que sua subsidiária Starlink alcançasse quase um monopólio em satélites de órbita terrestre baixa (LEO). Sendo o foguete também utilizado para turismo espacial orbital.
A reutilização de foguetes é crucial para reduzir custos de lançamento e tornar mais acessível o envio de satélites ao espaço. Porém, apesar desse desafio, a China realizou 93 lançamentos espaciais no ano passado, segundo anúncios oficiais. Isso porque startups de voos espaciais comerciais em rápido amadurecimento impulsionaram esse número.
Nova escola de navegação interestelar
Os planos da CASC foram anunciados após a China inaugurar sua primeira Escola de Navegação Interestelar, sediada na Academia Chinesa de Ciências. Além disso, a instituição visa formar especialistas em campos de fronteira, incluindo propulsão interestelar e navegação no espaço profundo.
Esta iniciativa sinaliza as ambições chinesas de transição das operações em órbita próxima à Terra para a exploração do espaço profundo. Aliás, sobre a inauguração, a agência Xinhua escreveu: “Os próximos 10 a 20 anos serão uma janela para o desenvolvimento acelerado no campo de navegação interestelar da China. A inovação original em pesquisa básica e avanços tecnológicos remodelarão o padrão de exploração do espaço profundo”.
Por fim, vale lembrar que os Estados Unidos também enfrentam intensa competição da China nesta década em seu esforço para levar astronautas de volta à Lua.
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