O Google iniciou testes para substituir manchetes originais de notícias por versões resumidas criadas por inteligência artificial no feed do Google Discover. A empresa confirmou a iniciativa, descrevendo-a como um “pequeno experimento de interface do usuário para um subconjunto de usuários do Discover”.
Conforme observa o portal The Verge, os resumos gerados pela IA têm produzido títulos exagerados e fora de contexto. Grande parte não representa o conteúdo original das matérias.
O experimento busca condensar manchetes em formatos mais curtos, geralmente limitados a quatro palavras ou menos. Usuários do serviço Discover, começaram a identificar essas alterações que são no mínimo estranhas.
A iniciativa acontece sem avisos claros aos leitores sobre a reescrita das manchetes por sistemas automatizados. Há uma nota informando que algumas informações foram “geradas com IA, que pode cometer erros”, mas ela só aparece quando o usuário toca em “Ver mais”.
Veículos afetados e exemplos problemáticos
O problema afeta publicações especializadas em tecnologia, como The Verge, Wccftech e Ars Technica, além de veículos de outros segmentos. Isso pode levar leitores a acreditar que as organizações criaram os títulos sensacionalistas ou imprecisos exibidos no feed.
Um dos casos identificados transformou completamente a manchete “O Steam Machine da Valve parece um console, mas não espere que tenha o preço de um”. No Discover, o resultado do título do Ars Technica ficou: “Preço do Steam Machine revelado”.
Em outro exemplo, uma matéria sobre “Como os desenvolvedores da Microsoft estão usando IA” foi reduzida para “Desenvolvedores da Microsoft usando IA”, eliminando palavras que forneciam contexto adequado à informação.
Resumos confusos e distorções
Alguns resumos gerados pela IA do Google são particularmente confusos. Títulos como “Plano de contingência para agricultura da Tabela 1” e “Debate sobre etiquetas de IA se acirra” não fazem sentido.
Por outro lado, nem todas as manchetes geradas apresentam problemas. Exemplos como “Modelo de origami ganha prêmio” e “Hyundai e Kia aumentam sua participação de mercado” mantêm a essência das notícias originais, embora sejam menos informativas que as versões completas.
Entre os casos mais problemáticos estão manchetes como “Você sabia que os players do BG3 exploram crianças?” e “Você sabia que o Qi2 deixa os Pixels mais antigos mais lentos?”, que apresentam conteúdo sensacionalista ou informações distorcidas.
Posicionamento do Google e preocupações do setor
Em comunicado oficial, o Google afirmou que “essas capturas de tela mostram um pequeno experimento de interface do usuário para um subconjunto de usuários do Discover”. A empresa também explicou que está “testando um novo design que altera a posição dos títulos existentes para facilitar a compreensão dos detalhes do tópico antes que os usuários explorem links na web”.
Veículos de comunicação manifestam preocupação com a prática, argumentando que o Google está interferindo na capacidade dos jornalistas de apresentar adequadamente seu trabalho. É como uma livraria que decide trocar a capa de um livro sem consultar o autor.
Há também o alerta de que “a web aberta já está em rápido declínio”, e esta prática poderia agravar o problema.
Por se tratar de um experimento, existe a possibilidade de que o Google não implemente permanentemente esta funcionalidade caso receba feedback negativo significativo. No entanto, a tendência da empresa é priorizar seus próprios produtos em detrimento do direcionamento de tráfego para sites de notícias, levando veículos de imprensa a implementar sistemas de assinatura para sobreviver.
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