Humanos ficam no 7º lugar no ranking da monogamia em mamíferos

Pesquisa da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, classificou os seres humanos em sétimo lugar entre 35 espécies de mamíferos em um ranking de monogamia.

Os resultados mostram que os humanos superam os suricates na classificação de fidelidade reprodutiva. Porém, ficam atrás dos castores eurasianos. A revista científica Proceedings of the Royal Society B publicou a pesquisa, após análises realizadas ao longo de 2025 na universidade britânica.

O Dr. Mark Dyble, antropólogo evolutivo responsável pelo estudo, examinou mais de 100 populações humanas diferentes, além de 34 espécies de mamíferos para estabelecer uma comparação abrangente. Dessa forma, ele utilizou dados genéticos de estudos com animais e humanos para determinar os padrões de monogamia.

“Como antropólogos, estamos interessados em entender a variação entre as sociedades humanas, mas isso é dar um passo atrás e dizer, OK, se fôssemos qualquer outra espécie de mamífero, estaríamos amplamente satisfeitos em nos caracterizar como uma espécie monogâmica”, afirmou Dyble.

Além disso, as análises foram realizadas em diversas regiões, incluindo sítios neolíticos na Europa e populações contemporâneas. Os níveis de monogamia variaram substancialmente entre as populações humanas estudadas.

Ranking completo das espécies

O camundongo-de-cauda-branca da Califórnia lidera o ranking, seguido de cão selvagem africano, toupeira-de-damaraland, sagui-de-bigode, lobo etíope e castor eurasiano.

Os humanos ocupam o sétimo lugar, seguidos pelo gibão-de-mãos-brancas, suricato, lobo cinzento e raposa vermelha. Os pesquisadores consideram as 11 primeiras espécies como monogâmicas, enquanto as 24 últimas como não monogâmicas.

A ovelha Soay da Escócia ocupa a última posição na lista devido ao fato de cada fêmea acasalar com vários machos.

Perspectivas sobre a monogamia humana

Robin Dunbar, professor de psicologia evolutiva da Universidade de Oxford, comentou que trabalhos anteriores colocaram os humanos “bem no limite entre espécies monogâmicas e poligâmicas”. Ele acrescentou: “Se religiões perderem sua força, a monogamia em série, ou poligamia por qualquer outro nome, rapidamente emerge. Há um risco aqui de confundir desejo com realidade: os humanos desejam poligamia, mas são constrangidos a uma forma relutante de monogamia por ameaça social ou religiosa.”

O estudo não determinou definitivamente por que a monogamia evoluiu nos humanos. A pesquisa sugere que provavelmente ocorreu em uma transição incomum, afastando-se da vida em grupo não monogâmica.

Dr. Kit Opie, antropólogo evolucionista da Universidade de Bristol, por outro lado, ofereceu uma perspectiva sobre a origem da monogamia humana: “Nossos parentes vivos mais próximos, chimpanzés e bonobos, têm um sistema de acasalamento inteiramente diferente. Eu argumentaria que tanto a promiscuidade de chimpanzés e bonobos quanto a monogamia em humanos são contra-estratégias ao infanticídio masculino, que é agudo em espécies de primatas de cérebro grande.”

“As fêmeas tentam confundir a paternidade, através da promiscuidade, para que todos os machos do grupo possam ser o pai da prole, ou fornecem certeza de paternidade, mais ou menos, para que um único macho esteja investido na prole e os proteja,” acrescentou Opie.

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