Se antes o comum era escanear fotos antigas para publicá-las nas redes sociais, hoje, a Geração Z está em busca de experiências mais táteis. Isso inclui, por exemplo, câmeras de filme, fotos reveladas e impressões instantâneas. Em meio ao aumento das vendas de discos de vinil, CDs e livros físicos, o crescimento da nostalgia já trouxe até uma petição pela volta dos celulares Blackberry.
Essa mudança acontece porque 60% dos adultos da Geração Z gostariam de viver em uma época menos conectada, segundo uma pesquisa de 2023 da Harris Poll com o The New York Times.
Além disso, 80% desses jovens adultos, nascidos a partir de 1997, dizem temer a dependência tecnológica. 75% também enxergam as mídias sociais como uma ameaça à saúde mental. Enquanto isso, 58% acreditam que as novas tecnologias afastam as pessoas mais do que de as unem.
Em relação à nostalgia, 68% das pessoas têm esse sentimento em relação a épocas anteriores a suas vidas. Já 73% gostam da mídia, estilos e hobbies de épocas antigas, enquanto 78% querem novas tecnologias e produtos com elementos passados. Por fim, 66% consideram que explorar essas épocas alivia o estresse e ansiedade com a vida moderna e o futuro.
Com esse movimento, a plataforma de fotógrafos da América Latina “Banlek”, que comercializa fotos impressas, observou uma mudança no consumo e produção de fotografia no Brasil. Jovens que cresceram no meio digital estão optando por imagens que possam guardar, tocar e colecionar.
Por que a Geração Z está voltando para as fotos impressas?
De acordo com Jonathas Guerra, o CEO da Banlek, por viver “o tempo todo no digital”, a Geração Z já “está começando a sentir os efeitos desse excesso”. “Eles têm milhares de fotos salvas, tudo guardado na nuvem, mas quase nada realmente visto ou valorizado no dia a dia”, afirma.
“O impresso aparece como uma resposta simples a isso: é uma forma de tornar a memória concreta, de enxergar o que importa fora da tela. Não é nostalgia. É saturação”, opina. “É gente percebendo que parte da ansiedade e da sensação de ‘vida acelerada’ vem do volume de informações que consomem o tempo inteiro. Quando você imprime uma foto, você escolhe. E essa escolha, por si só, já é um respiro.”
Além disso, segundo ele, o “físico virou um elemento de identidade”: “os quadros e murais entraram na decoração, ajudam a contar histórias e fazem parte da estética pessoal.”
“A geração digital não quer voltar ao passado; quer adaptar o que funcionava. É um equilíbrio: o digital traz escala, mas o físico devolve presença. E os jovens estão buscando exatamente isso, um ponto de estabilidade no meio de tanta informação”, diz.
Como o mercado da fotografia está lidando com essa transição?
Por outro lado, nem tudo são flores nesta indústria. A gigante de fotografia analógica Kodak, por exemplo, está enfrentando uma crise e pode não conseguir manter suas operações.
Para Jonathas, em termos de “escalabilidade e de vendas em massa de fotos, é muito difícil para o fotógrafo, sozinho, assumir todo o processo de comercialização de fotos impressas”.
“A logística envolvida, desde a escolha, pelo cliente, das imagens que deseja imprimir, passando pelo endereço para envio ou combinação da entrega, até a cobrança manual, exige muito tempo do profissional, o que acaba prejudicando o crescimento de seu faturamento”, explica.
Além disso, é mais difícil para o fotógrafo individual alcançar um preço de produção competitivo, de acordo com ele.
“Com baixo volume de vendas, não faz sentido investir em um equipamento próprio, e ao recorrer a fornecedores terceirizados, a margem tende a ser menor”, conta. “Diante desses desafios, muitos acabam desanimando de oferecer o serviço de impressão.”
Para solucionar isso, atualmente, a Banlek permite que o fotógrafo defina o valor da foto impressa para o cliente, bem como sua margem.
“Nós conseguimos oferecer um preço de produção bastante competitivo graças ao alto volume de fotos impressas em parceria com nossa gráfica”, apontou. “O processo é automatizado: o cliente recebe a foto em casa, sem custo adicional para o fotógrafo, que recebe apenas uma comissão sobre a venda dos impressos.”
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