Ridley Scott não poupou críticas ao cinema atual, afirmando que “Hollywood está se afogando na mediocridade,” e apresentou a solução: rever seus filmes anteriores.
No último domingo (5), Scott participou de uma conversa especial no British Film Institute (BFI), festival que, neste ano, homenageia a carreira do diretor.
Ao revisitar sua carreira, marcada por clássicos como “Gladiador”, “Blade Runner”, “Alien” e muitos outros, Ridley Scott fez duras críticas à quantidade de produções cinematográficas atuais.
Antes de começar uma série de ofensas ao cinema atual, Scott citou que costuma (ou costumava) ver muitos filmes e séries, sobretudo para encontrar novos talentos para seus projetos.
O diretor britânico de 87 anos, cujo trabalho mais recente foi a contestável sequência de “Gladiador”, afirmou que encontrou Paul Mescal, que estrela o filme, em uma série da BBC.
Mas, agora, Ridley Scott ressaltou que, com a era dos streamings, a maioria dos filmes modernos é uma “m#rda”.
“Atualmente, tudo que vejo é mediocridade, estamos [Hollywood] nos afogando em mediocridade. A quantidade de filmes produzidos hoje em todo o mundo supera, literalmente, a casa dos milhões. Não são milhares, são milhões. E a maioria é uma m#rda”.
De acordo com o diretor, que calculou a “mediocridade do cinema”: entre 80 e 60 são ruins, 40% é o resto. 25% dos 40% de “resto” não são “tão ruins”, 10% são bons e somente 5% são excelentes.
Ridley Scott reconheceu que, talvez, seu cálculo pode não ser exato: “não tenho certeza sobre a divisão que acabei de fazer”.
Filmes atuais são ruins porque o diretor recebe roteiros incompletos, diz Ridley Scott
“Nos anos 1940, quando havia, provavelmente, 300 filmes por ano: 70% eram similares. Para mim, a produção da maioria dos filmes de hoje é barata, mas fica cara pelos efeitos digitais. Isso ocorre porque eles [cineastas] não criam um grande roteiro antes. Escreva o filme primeiro!”, disse o diretor.
Curiosamente, “Prometheus”, sequência espiritual de “Alien” com Ridley Scott como diretor, teve seu roteiro reescrito três vezes. E o filme de 2012 não foi um sucesso de críticas, apesar de preceder o auge dos streamings.
Mas, continuando o “faça o que eu digo”, Ridley Scott respondeu que, para se livrar da mediocridade, a solução é revisitar seus próprios filmes.
“É algo horrível, mas comecei a rever meus próprios filmes e, de fato, eles são muito bons. Além disso, eles continuam atuais”, afirmou Scott.
O principal exemplo do diretor foi “Falcão Negro em Perigo”, de 2001, em que Ridley Scott retrata os eventos reais do exército dos EUA na Guerra da Somália, em 1993.
“No último sábado, assisti a “Falcão Negro em Perigo” e pensei: ‘PQP, como eu consegui fazer algo assim’”, ressalta o diretor sobre o filme, cujo roteiro foi reescrito duas vezes.
Ao fim da conversa, Ridley Scott enfatizou que continuará a fazer filmes, citando ser “impossível” largar o trabalho como diretor de cinema. Scott confirmou duas coisas.
O diretor completou a produção do seu próximo filme, “The Dog Stars”, e revelou que mais um filme da franquia “Gladiador”, cujo roteiro já está em construção…
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