China encolhe e natalidade despenca ao menor nível dos últimos 76 anos

A população da China diminuiu pelo quarto ano consecutivo, chegando a 1,404 bilhão de habitantes em 2025. Ou seja, uma redução de 3 milhões de pessoas em relação ao ano anterior. Além disso, o governo chinês divulgou que a taxa de natalidade atingiu 5,63 nascimentos por 1.000 habitantes. Este é o menor índice registrado desde a revolução comunista de 1949.

O declínio demográfico persiste mesmo após o fim da política do filho único há uma década. E mesmo após diversas medidas implementadas pelas autoridades chinesas para estimular o aumento de nascimentos.

De acordo com a Associated Press (AP), entre as iniciativas estão subsídios financeiros, taxação de preservativos e benefícios fiscais para creches e agências matrimoniais.

Fatores que contribuem para a queda na natalidade

Os altos custos e a pressão social para criar filhos em um ambiente extremamente competitivo são apontados pelas famílias chinesas como principais obstáculos para ter mais filhos. A desaceleração econômica também impacta negativamente os orçamentos domésticos, desestimulando ainda mais a decisão de aumentar as famílias.

Em 2025, nasceram apenas 7,92 milhões de bebês no país asiático, representando uma redução de 1,62 milhão (17%) em comparação com 2024. Este período coincidiu com o ano da serpente no zodíaco chinês, tradicionalmente considerado um dos menos favoráveis para ter filhos.

A agência oficial de notícias Xinhua, no entanto, afirmou no início do ano que a serpente “está se livrando de suas conotações negativas”.

Desafios de uma população envelhecida

A China, que foi a nação mais populosa do mundo até ser ultrapassada pela Índia em 2023, enfrenta agora o desafio de uma economia em transição. O país está “envelhecendo antes de ficar rico”, conforme expressão comumente utilizada para descrever a situação demográfica chinesa.

Embora o governo não divulgue regularmente a taxa de fertilidade, cuja última informação oficial foi de 1,3 em 2020, especialistas estimam que atualmente esteja em torno de 1. Este valor está muito abaixo da taxa de 2,1 necessária para manter o tamanho da população.

Atualmente, a China possui 323 milhões de pessoas com mais de 60 anos, o que representa 23% de toda a população, enquanto sua força de trabalho continua diminuindo.

Medidas governamentais para enfrentar o problema

Para combater o desafio demográfico, o governo chinês anunciou em julho subsídios de 3.600 yuans (aproximadamente R$ 2.777) por filho às famílias. Além disso, o país removeu preservativos da lista de isenção do imposto sobre valor agregado em 2025, resultando em uma taxação de 13% que entrou em vigor em 1º de janeiro.

Na mesma segunda-feira (19) em que divulgou os dados populacionais, a China também anunciou um crescimento econômico anual de 5% para 2025, com base em dados oficiais.

“A maior preocupação é se o crescimento econômico pode se manter com uma população em declínio”, afirmou Gary Ng, economista sênior para Ásia-Pacífico no banco de investimento francês Natixis.

Sobre as políticas de incentivo à natalidade, o pesquisador Gietel-Basten destacou que as mulheres jovens desejam políticas, principalmente no local de trabalho, que garantam que não sejam penalizadas por tirar licença para ter filhos. “Não deveria ser esta penalidade massiva”, disse ele.

Não há dados disponíveis sobre o período anterior a 1949, durante o governo Nacionalista. Também não se sabe se as medidas implementadas serão suficientes para reverter a tendência de queda populacional. Ou como o país conseguirá equilibrar seu sistema previdenciário com uma população cada vez mais envelhecida.

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