ChatGPT já passou: como funciona o Teste de Turing

Um estudo publicado no início deste ano chamou a atenção da comunidade científica por afirmar que o ChatGPT havia passado no famoso teste de Turing. De acordo com o artigo, o modelo GPT-4.5 obteve uma taxa de sucesso de 73%, superando outros modelos concorrentes.

No mesmo teste, o LLaMa-3.1-405B teve um desempenho abaixo de 60%. Enquanto ELIZA e GPT-4o tiveram uma performance bem decepcionante e não conseguiram atingir os 25%.

Para quem não está familiarizado com o termo, o Teste de Turing é, na verdade, uma espécie de desafio de inteligência artificial (IA) concebido pelo matemático e cientista da computação — e pai da computação moderna — Alan Turing em 1950. No teste, uma pessoa tenta descobrir se está interagindo com uma máquina ou outro ser humano.

Caso o robô consiga enganar o avaliador fazendo-o pensar que está interagindo com outro humano, ele pode ser considerado inteligente. O desafio em questão se concentra na capacidade de um modelo de IA em imitar o comportamento de um ser humano comum.

Teste de Turing tem críticas

Mesmo sendo extremamente popular e considerado um marco na história da inteligência artificial, o teste de Turing não está isento de críticas. O principal argumento de quem advoga contra o método é que apenas imitar o comportamento humano não é um indicativo real de consciência e muito menos inteligência.

Além disso, muitos pesquisadores desaprovam o fato de o foco do desafio ser em comunicação, ignorando as capacidades em outras áreas, como física ou lógica, por exemplo. Outra crítica comum é a respeito do caráter binário deste. Ele é capaz de atestar apenas se o robô é ou não inteligente sem considerar potenciais nuances.

John Searle, filósofo analítico e escritor norte-americano, propôs o contra argumento mais famoso. Conhecido como “argumento do quarto chinês”, o pensador propõe um cenário em que uma pessoa que não fala chinês está trancada em um quarto com um livro de instruções para a manipulação de caracteres do mandarim.

A pessoa receberia perguntas em chinês sob a porta. Assim, utilizando o livro, enviaria respostas em chinês. Quem observa externamente é induzido a acreditar que está se comunicando com um falante fluente da língua. No entanto, na realidade, o indivíduo no interior está apenas seguindo um conjunto de instruções sintáticas.

Seguindo este entendimento, os modelos de inteligência artificial estariam apenas manipulando símbolos sem necessariamente compreender minimamente o que eles significam. Por este motivo, embora seja um ícone, o teste não é o método mais indicado para atestar a inteligência dos modelos de IA modernos.

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