Sundar Pichai, CEO do Google, expressou preocupação com o número crescente de regulamentações estaduais sobre inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos, alertando que essa fragmentação pode ser prejudicial à competitividade americana na disputa tecnológica com a China.
Em entrevista a Fox News, o executivo apontou a existência de mais de mil projetos de lei relacionados à IA em tramitação nas assembleias legislativas estaduais americanas, criando um cenário regulatório complexo enquanto os chineses atingem marcos significativos no segmento.
“Como lidar com essas regulamentações variadas e como competir com países como a China, que estão avançando rapidamente nessa tecnologia?”, questionou Pichai durante a entrevista. O CEO ainda defendeu uma abordagem mais unificada, afirmando que a regulamentação deve ser mais efetiva se for criada em nível nacional, ao invés de permitir que cada estado desenvolva suas próprias regras.
Cooperação internacional e para um desenvolvimento responsável da IA
Pichai destacou que o avanço responsável da IA exige esforços coordenados entre empresas e governos. “Parte disso depende de nós, como empresas, aprimorarmos nossos produtos”, afirmou o executivo. “Parte disso depende dos governos trabalharem juntos para criar padrões e estruturas que nos permitam usar a tecnologia de forma cooperativa”, completou o CEO.
O CEO do Google também enfatizou a importância do desenvolvimento de estratégias internacionais de cooperação para que a tecnologia não seja utilizada como armas.
Ao abordar o potencial da inteligência artificial, Pichai reconheceu seus benefícios, mas reconheceu que qualquer inovação tecnológica também tem seus contras. Ele ainda acrescentou: “a jornada da humanidade é sempre: ‘como aproveitar a tecnologia para beneficiar a sociedade?’ E acho que com a IA não é diferente.”
IA para reforçar mecanismos de segurança
Durante a entrevista, Pichai mencionou uma vitória judicial recente do Google contra um esquema de phishing que havia atingido mais de um milhão de pessoas em mais de cem países.
Em referência ao caso, o CEO da gigante da tecnologia falou sobre a adoção de IA para aprimorar mecanismos de segurança. “Da mesma forma que os criminosos podem usar a tecnologia, nós também podemos usar IA para detectar melhor essas operações.”
Data centers no espaço serão “normais” no futuro?
A Alphabet, empresa controladora do Google, viu suas ações dobrarem de valor em sete meses, alcançando US$ 3,5 trilhões de valor de mercado. Esse crescimento reflete a confiança dos investidores na capacidade da empresa de competir com rivais como a OpenAI, proprietária do ChatGPT.
Entre os projetos inovadores da empresa, Pichai destacou o “Suncatcher”, uma iniciativa para construir data centers de IA alimentados por energia solar no espaço. “Não tenho dúvidas de que, daqui a uma década ou mais, consideraremos normal”, afirmou.
Perspectivas sobre o atual mercado de IA
Pichai comparou o atual momento da IA com outros períodos de inovação tecnológica. “Há cerca de vinte e cinco anos, as pessoas faziam as mesmas perguntas sobre a busca do Google”, lembrou. “Acho que, como sociedade, vamos nos adaptar e espero que nossos dias criativos sejam ainda mais ricos no futuro.”
O executivo reconheceu a existência de “irracionalidade” nos investimentos atuais em IA, descrevendo o cenário como um momento único em que há possibilidade de cometer exageros.
Em contrapartida, em entrevista à BBC no mês passado, Pichai também admitiu a existência de uma bolha e reconheceu que caso as precisões mais pessimistas se confirmem, nem mesmo o Google ficará imune aos efeitos.
Apesar dos riscos, Pichai mantém uma visão otimista: “Podemos olhar para a internet agora. Claramente houve muito investimento excessivo, mas nenhum de nós questionaria o quão longe ela foi”. E concluiu: “Espero que a IA seja igual. Então, acho que há elementos de racionalidade e, ao mesmo tempo, de irracionalidade em um momento como este.”
The post CEO do Google alerta que EUA podem perder corrida da IA para a China appeared first on Giz Brasil.