O buraco na camada de ozônio sobre a Antártida atingiu em 2025 sua menor dimensão e duração dos últimos seis anos. Isso de acordo com os Dados do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus (Cams). O fenômeno alcançou área máxima de 21 milhões de quilômetros quadrados em setembro deste ano. Além disso, na segunda-feira (1), os cientistas confirmaram o fechamento completo do buraco. Isso foi significativamente menor que os 26 milhões de quilômetros quadrados observados em 2023.
Esta é a segunda redução consecutiva no tamanho do buraco. Isso após um período de quatro anos (2020-2023) em que o fenômeno apresentou dimensões maiores e mais persistentes. De acordo com o The Guardian, a diminuição representa um avanço importante na recuperação da camada que protege a Terra contra a radiação ultravioleta (UV) solar.
Além disso, a melhora é resultado direto da eliminação progressiva de substâncias químicas que destroem o ozônio. A medida foi implementada pelo Protocolo de Montreal de 1987 e suas emendas posteriores. Este acordo internacional proibiu o uso de compostos que degradam a camada de ozônio, permitindo sua regeneração natural ao longo das décadas.
Monitoramento confirma tendência de recuperação
Cientistas do Copernicus, o serviço de monitoramento da União Europeia, acompanham anualmente a formação e o fechamento do buraco na camada de ozônio sobre o continente antártico. A NASA e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos também analisaram o fenômeno. Eles classificaram o buraco de 2025 como o quinto menor desde 1992.
A camada de ozônio é como um “protetor solar planetário”. Ele desempenha função essencial para a vida na Terra ao filtrar os raios ultravioleta nocivos. Quando danificada, permite maior passagem dessa radiação, o que pode provocar danos às plantações, aumentar a incidência de câncer de pele e cataratas, além de outros prejuízos à saúde humana.
Formação anual e previsões futuras
O buraco na camada de ozônio forma-se todos os anos sobre a Antártida, região onde esta proteção atmosférica é naturalmente mais fina. De acordo com estimativas da Organização Meteorológica Mundial, a camada de ozônio sobre a Antártida poderá se recuperar aos níveis de 1980 até 2066.
Os dados coletados pelo Cams mostram que o buraco deste ano atingiu sua extensão máxima em setembro. Ele cobriu 21 milhões de quilômetros quadrados no hemisfério sul. A partir desse ponto, o fenômeno diminuiu progressivamente até se fechar completamente no início de dezembro.
Investigação sobre variações recentes
Os cientistas continuam investigando as razões pelas quais os buracos na camada de ozônio foram tão extensos e duradouros entre 2020 e 2023. Uma das hipóteses considera que a erupção do vulcão Hunga Tonga em 2022, que lançou cinzas e vapor d’água na estratosfera, pode ter influenciado significativamente o grande buraco observado em 2023.
Um estudo publicado na revista Nature Climate Change no ano passado constatou que as medidas implementadas pelo Protocolo de Montreal conseguiram reduzir as emissões de gases nocivos. Isso faz com que os efeitos de aquecimento desses gases atingissem seu pico cinco anos antes do esperado. Sem esses acordos internacionais, o Cams afirma que o declínio do ozônio estratosférico global poderia ter alcançado “níveis catastróficos”.
“O fechamento antecipado e o tamanho relativamente pequeno do buraco na camada de ozônio deste ano é um sinal tranquilizador,” afirmou Laurence Rouil, diretor do Cams. “[Isso] reflete o progresso constante ano após ano que estamos observando na recuperação da camada de ozônio graças à proibição das substâncias que destroem o ozônio.”
“Este progresso deve ser celebrado como um lembrete oportuno do que pode ser alcançado quando a comunidade internacional trabalha em conjunto para enfrentar desafios ambientais globais,” de acordo com Rouil.
Por outro lado, Paul Newman, líder da equipe de pesquisa sobre ozônio no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, comentou que a mudança no tamanho dos buracos está seguindo as previsões. “Eles estão se formando mais tarde na temporada e se desfazendo mais cedo,” disse ele. “Porém ainda temos um longo caminho a percorrer antes que se recupere aos níveis dos anos 1980.”
The post Buraco na camada de ozônio é o menor registrado desde 2019 appeared first on Giz Brasil.