Um brilho difuso de raios gama no centro da Via Láctea pode ser a primeira pista concreta da existência da matéria escura.
As informações são de um estudo publicado na última semana, que usou supercomputadores para criar mapas detalhados da provável distribuição de matéria escura na galáxia.
A pesquisa foi uma colaboração entre cientistas do Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam (AIP), na Alemanha, e das universidades John Hopkins (EUA) e Sorbonne (França).
A equipe comparou os mapas com dados do telescópio espacial Fermi de raios gama para descobrir uma correlação entre a emissão desses raios e regiões de maior concentração de matéria escura.
“A matéria escura domina o universo e conecta as galáxias. Ela é, portanto, extremamente importante e nós passamos o tempo inteiro desesperados em busca de ideias de como detectá-la”, afirmou Joseph Silk, coautor do estudo.
De acordo com Silk, os raios gama e, sobretudo, o excesso de luz que os cientistas observaram no centro da Via Láctea podem ser a “primeira pista para desvendar a matéria escura”.
De acordo com o estudo, há duas explicações para esse brilho:
- colisões de partículas de matéria escura;
- Emissão de pulsares de milissegundos (estrelas de nêutrons antigas que giram rapidamente).
Embora ambas sejam plausíveis, a hipótese dos pulsares exigiria uma quantidade significativamente maior desses objetos do que os atualmente observados.
Desse modo, o estudo se baseia em modelos cosmológicos da formação da Via Láctea para explicar a relação entre os raios gama e a matéria escura.
Tais modelos, durante o primeiro bilhão de anos da galáxia, eram pequenas estruturas ricas em matéria escura que colidiram e se fundiram. O resultado foi a concentração dessas partículas no centro galáctico, ambiente propício a colisões que geram o brilho de raios gama.
Contudo, os cientistas aguardam os dados do futuro Cherenkov Telescope Array para confirmar a hipótese. O Cherenkov será um observatório de raios gama de alta resolução, distinguindo emissões de energias de pulsares e por colisões de matéria escura.
Além disso, os pesquisadores planejam aplicar a mesma metodologia em galáxias anãs próximas. Nessas regiões, a presença de matéria escura é predominante, então pode haver padrões semelhantes nos mapas.
“É possível que vejamos os novos dados e confirmemos uma teoria sobre a outra. “Ou talvez não encontremos nada. Assim teremos um mistério ainda maior para resolver”, declarou Silk.
Por fim, a confirmação da hipótese dos raios gama pode representar um avanço histórico na compreensão da natureza da matéria escura.
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