A empresa xAI, de propriedade de Elon Musk, instalou o supercomputador Colossus em Boxtown, bairro de Memphis com 90% de população negra. A comunidade local protesta contra a instalação, denunciando a emissão de poluentes perigosos e a sobrecarga na rede elétrica da região.
Atualmente, operação continua funcionando normalmente apesar das manifestações dos moradores.
O Colossus é fundamental para impulsionar o chatbot Grok, projeto de Musk para competir com o ChatGPT, da OpenAI. As autoridades de Memphis mostraram-se “dispostas a flexibilizar as normas de planejamento urbano para ajudá-lo a construir seu supercomputador”, segundo reportagem do The Times.
Uma antiga fábrica de eletrodomésticos transformou-se no maior supercomputador de IA do mundo em apenas 122 dias.
A escolha de Boxtown para a instalação do data center não foi aleatória. O bairro, historicamente povoado por ex-escravizados desde 1863, está localizado a aproximadamente um quilômetro e meio da instalação. A área já enfrentava problemas ambientais antes da chegada do Colossus. Contudo, a situação agora é considerada ainda mais perigosa pelos moradores.
Impacto ambiental e energético
O supercomputador, quando finalizado, consumirá 1,1 gigawatts de energia, representando “40% do consumo de energia de Memphis em um dia típico de verão”, conforme reportado pelo The Times. Diariamente, o sistema utiliza 1 milhão de galões de água, “o equivalente a 1,5 piscinas olímpicas, para resfriar seus processadores diariamente”.
O Southern Environmental Law Center (SELC), citado pelo The Tennessee Lookout, afirma que o consumo energético do complexo seria suficiente para “abastecer aproximadamente 100.000 residências”. Além disso, a instalação opera com 33 turbinas a gás movidas a metano, mas possui licença para apenas 15.
Estas turbinas “aumentam a poluição atmosférica de Memphis em 30 a 60%, emitindo óxidos de nitrogênio que contribuem para o aquecimento global e formaldeído tóxico”, substâncias associadas a doenças respiratórias e cardiovasculares, segundo o SELC.
A organização alerta que, embora os “indícios sejam alarmantes”, os “resultados são ainda piores” e que a extensão das emissões “provavelmente fará da xAI a maior fonte industrial de poluentes formadores de nevoeiro tóxico em Memphis”.
Não há informações sobre possíveis medidas para diminuição dos impactos que a empresa poderia implementar para reduzir o impacto ambiental. Também não existem detalhes sobre estudos independentes que quantifiquem com precisão os níveis de poluição gerados pela instalação.
Protestos e mobilização comunitária
Em julho de 2025, manifestantes organizados pela coalizão estudantil Tigers Against Pollution realizaram uma marcha em frente ao Departamento de Saúde do Condado de Shelby.
O deputado estadual Justin J. Pearson, democrata de Memphis, destacou que “se você for afro-americano neste país, tem 75% mais chances de morar perto de uma instalação de resíduos tóxicos e perigosos“. Ele acrescentou que “nesta comunidade, existem mais de 17 instalações listadas no Inventário de Liberação de Substâncias Tóxicas ao nosso redor — agora 18 com a fábrica xAI de Elon Musk”.
O médico Austin Dalgo afirmou à revista Time que as turbinas da xAI estão “causando uma crise de saúde pública em Memphis ao liberarem óxidos de nitrogênio — poluentes que comprovadamente prejudicam os pulmões”. Segundo ele, se essas instalações tivessem sido “colocadas ao lado do Hospital de Pesquisa Infantil St. Jude, ninguém permitiria”, mas foram instaladas “no quintal de um bairro historicamente negro e carente, reforçando um longo legado de racismo ambiental em Memphis — e em nosso país”.
O The Times chegou a solicitar um posicionamento da xAI sobre as preocupações dos moradores relacionadas à qualidade do ar. A empresa de Musk, por sua vez, respondeu: “a mídia tradicional mente”.
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