Um estudo publicado na revista Science revelou que os gatos domésticos atuais descendem de felinos selvagens do Norte da África, de aproximadamente 2 mil anos. As descobertas contradizem teorias anteriores, que situavam a domesticação desses animais no período Neolítico, há cerca de 8 mil ou 9 mil anos.
A pesquisa se baseou na análise genômica de 70 gatos antigos e 17 gatos selvagens. Ela foi realizada em diversos locais da Europa e do Levante, analisando restos de felinos em sítios arqueológicos.
Como os esqueletos de gatos domésticos são visualmente idênticos aos dos selvagens, foi impossível usá-la para determinar a linhagem dos felinos pré-históricos. Portanto, foi necessária a análise do genoma completo para estabelecer sua verdadeira origem.
Os dados genômicos revelaram que a domesticação ocorreu aproximadamente 6 mil anos depois do que se acreditava. Assim, a análise genética comprovou que todos os felinos com mais de dois milênios eram gatos selvagens europeus, espécie diferente da moderna.
“Tivemos que esperar vários milênios, até cerca de 2 mil anos atrás, para começar a olhar para genomas antigos que não são genomas de gatos selvagens europeus. Esses foram realmente os primeiros gatos domésticos que pudemos encontrar”, disse Marco de Martino, autor do estudo, ao IFLScience.
Disseminação dos gatos domésticos foi rápida no Império Romano
O exemplar mais antigo de gato doméstico que os pesquisadores identificaram tinha aproximadamente 2.200 anos. A partir de então, a disseminação aconteceu de forma extremamente rápida por todo o território do Império Romano.
Ainda no primeiro século antes da Era Comum, esses felinos alcançaram as fronteiras orientais e setentrionais do império, chegando às Ilhas Britânicas. Após décadas, já estavam presentes em praticamente todos os territórios sob domínio romano. “Eles se espalharam muito rapidamente, e em poucas décadas foram encontrados em todos os lugares dentro das fronteiras do Império”, observou de Martino.
O que diziam as evidências anteriores sobre a domesticação dos gatos?
Anteriormente, evidências arqueológicas sugeriam uma domesticação muito mais antiga. Algumas delas incluíam o sepultamento de um humano e um gato há 7.500 anos no Chipre, bem como o DNA mitocondrial de felinos de 6 mil anos na Turquia. Ambas indicaram que os gatos domésticos teriam se espalhado da Anatólia para a Europa com os primeiros agricultores.
“Eu estava certo de que iria analisar os genomas domésticos mais antigos, mas estava totalmente errado”, afirmou de Martino sobre os espécimes neolíticos turcos, ao IFLScience. “Na verdade, quando olhamos para esses genomas, eles não são gatos domésticos – são gatos selvagens europeus, o que é totalmente uma espécie diferente”, explicou.
Felinos e humanos já conviviam antes dos gatos modernos
Claudio Ottoni, coautor do estudo, declarou que a pesquisa não nega totalmente a existência de relações entre humanos e felinos no período Neolítico. Ela apenas indica que essa interação não resultou na linhagem dos gatos domésticos atuais.
“Evidências arqueológicas sugerem que o primeiro encontro entre gatos e humanos foi no Levante, e não estamos rejeitando o relacionamento que aconteceu no Neolítico”, disse. Definitivamente havia uma relação comensal, mas isso não levou à domesticação e dispersão dos gatos.”
A partir desta descoberta, os pesquisadores pretendem investigar mais detalhadamente como ocorreu o processo de domesticação. E, além disso, quais características genéticas diferenciam os gatos domésticos de seus ancestrais selvagens.
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