Pesquisadores criaram uma calculadora para estimar a redução da pressão arterial com o uso de diferentes medicamentos. A nova ferramenta, a primeira do gênero, pode transformar o tratamento da hipertensão. Sua criação teve como base dados de quase 500 ensaios clínicos randomizados e mais de 100 mil participantes.
As descobertas, publicadas na The Lancet, podem ajudar os médicos a adaptar os planos de tratamento ao nível exato de redução da pressão arterial.
“Isso é realmente importante porque cada redução de 1 mmHg na pressão arterial sistólica diminui o risco de ataque cardíaco ou derrame em dois por cento”, explicou Nelson Wang, cardiologista e pesquisador do The George Institute for Global Health. “Mas com dezenas de medicamentos, doses múltiplas por medicamento e a maioria dos pacientes precisando de dois ou mais medicamentos, há literalmente milhares de opções possíveis e nenhuma maneira fácil de descobrir o quão eficazes elas são.”
De acordo com o Dr. Wang, o cálculo tradicional com base em leituras individuais é falho, pois os valores flutuam muito. Além disso, é difícil avaliar o quão bem um medicamento está funcionando apenas com medições repetidas.
“A pressão arterial muda de momento a momento, de dia para dia e de estação para estação”, disse. “Essas flutuações aleatórias podem facilmente ser tão grandes ou maiores do que as mudanças provocadas pelo tratamento.”
Como funciona a calculadora de pressão alta?
A calculadora calcula a média dos efeitos dos tratamentos e classifica as terapias em grupos de baixa, moderada ou alta intensidade. Normalmente, um medicamento anti-hipertensivo reduz a PA sistólica em apenas 8–9 mmHg. Contudo, muitos pacientes precisam de reduções de 15–30 mmHg para atingir as metas.
Segundo Anthony Rodgers, professor sênior do The George Institute for Global Health, o novo método “especifica o quanto precisa reduzir a pressão arterial, escolhe um plano de tratamento ideal para atingir esse objetivo com base nas evidências e faz com que o paciente comece a fazer isso o mais cedo possível”.
Agora, o próximo passo é testar a nova abordagem em um ensaio clínico. Nele, os pacientes receberão tratamentos prescritos com base na quantidade necessária para reduzir a pressão arterial, de acordo com a calculadora.
Atualmente, a pressão alta é afeta cerca de 1,3 bilhão de pessoas e causa cerca de dez milhões de mortes a cada ano. Como não causa sintomas por si só, ela pode permanecer oculta até levar a um ataque cardíaco, derrame ou doença renal.
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