Um artigo da Associação Americana do Coração sugere que dormir com exposição à luz artificial aumenta a probabilidade do desenvolvimento de doenças cardíacas com o tempo, mesmo em baixos níveis. Ou seja, luzes entrando pelas persianas e lâmpadas acesas nos corredores podem fazer mal à saúde.
A pesquisa foi realizada com 450 adultos sem histórico de doenças cardíacas, medindo a quantidade de exposição à luz artificial durante a noite. Todos os participantes fizeram o mesmo exame combinado de Tomografia por Emissão de Pósitrons/Tomografia Computadorizada.
Como resultado, indivíduos com maior exposição apresentaram mais estresse cerebral, inflamação dos vasos sanguíneos e maior risco de doenças cardíacas graves.
Além disso, os que viviam em áreas com maior luminosidade noturna apresentaram risco 35% maior de doenças cardíacas em 5 anos e mais de 22% em 10 anos. Os efeitos persistiram mesmo após o controle de fatores de risco como exercícios físicos, dieta e poluição do ar. Em 10 anos de acompanhamento, 17% dos participantes teve problemas cardíacos graves.
De acordo com os dados, mulheres e adultos jovens são os mais vulneráveis. Os riscos também foram maiores entre participantes que viviam em áreas com estresse social ou ambiental adicional, como alto nível de ruído do tráfego ou menor renda no bairro.
Por que dormir com luz acesa à noite faz mal à saúde do coração?
Isso ocorre porque o corpo é feito para um ciclo, com luz durante o dia e escuridão à noite. Sendo assim, a luz artificial desregula esse ritmo. Então, em reação à luz à noite, o cérebro desencadeia uma resposta de “estresse”, mesmo durante o sono.
O corpo envia sinais ao sistema imunológico e aos vasos sanguíneos, podendo levar a inflamação e danos às artérias futuramente. Além disso, a luz artificial à noite interfere na melatonina, hormônio do sono, e afeta pressão arterial, frequência cardíaca e metabolismo, relacionados à saúde cardíaca.
“Quando o cérebro percebe o estresse, ele ativa sinais que podem desencadear uma resposta imunológica e inflamar os vasos sanguíneos”, explicou o autor sênior do estudo, Shady Abohashem. Com o tempo, esse processo pode contribuir para o endurecimento das artérias e aumentar o risco de ataque cardíaco e derrame.”
Para evitar esses problemas, algumas pequenas mudanças podem ajudar. Primeiramente, é importante desligar a televisão, as luzes do teto e abajures. Já no caso de as luzes serem externas, uma alternativa é usar cortinas blackout ou uma máscara de dormir. Também pode-se considerar mudar a cama de lugar para evitar a luz direta. O autor sugeriu ainda que cidades reduzam a iluminação externa desnecessária, protejam os postes de luz ou usem luzes com sensor de movimento.
Segundo uma declaração da Associação, a poluição luminosa interfere nos relógios biológicos e pode suprimir a melatonina e atrasar o início do sono. Portanto, embora pesquisas sobre o tema sejam divergentes, vale a pena evitar o uso de telas antes de dormir, como celulares, tablets e computadores que emitam luz azul.
Por fim, vale lembrar que trata-se de um estudo observacional, com análise de informações previamente coletadas; não podendo-se comprovar relação direta de causa e efeito entre as variáveis analisadas. Os participantes também receberam atendimento em apenas um sistema hospitalar, podendo não representar um grupo diverso de pessoas.
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