A CAP_able, startup italiana, criou uma coleção de roupas que engana algoritmos de reconhecimento facial, protegendo a privacidade dos usuários.
A linha Manifesto apresenta moletons, blusas e vestidos com estampas que, à distância, assemelham-se a suéteres natalinos, mas são, na verdade, padrões de animais como girafas, zebras e cães.
À primeira vista, as roupas lembram suéteres natalinos, mas escondem um sofisticado “adversarial patch”. “Adversarial patch” é um padrão visual que confunde algoritmos como o YOLO (You Only Look Once).
Com isso, as roupas impossibilitam o reconhecimento facial das câmeras, que identificam o individuo como um animal.
A fundadora da empresa, Rachele Didero, teve a ideia enquanto estudava em Nova York, após ler sobre a resistência de moradores do Brooklyn à instalação de câmeras com reconhecimento facial em seus prédios.
Para concretizar o projeto, a Didero trabalhou com um especialista em ciência da computação. Eles exploraram duas abordagens: adaptar imagens animais para enganar algoritmos, ou usar parâmetros técnicos para gerar automaticamente imagens para evitar o reconhecimento facial.
A produção das roupas ocorre na Itália. A startup usa máquinas de tricô computadorizadas para tecer os padrões em algodão egípcio. Os testes mostram que as roupas confundem algoritmos de reconhecimento facial em 60% a 90% dos casos.
A CAP_able arrecadou cerca de cinco mil euros em uma campanha no Kickstarter no fim de 2022 e planeja expandir o negócio por meio de um programa de aceleração da Universidade de Milão.
Didero também quer desenvolver padrões mais sutis ao olho humano, mas que continuem confundindo câmeras de reconhecimento facial por meio das roupas.
Especialistas destacam que a iniciativa da startup ajuda a proteger os indivíduos da vigilância indesejada e pode estimular debates regulatórios.
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