Muito além do celular: como a Qualcomm quer colocar IA em tudo; sem acabar com a sua bateria

Nossa entrevista da semana é com Helio Akira Oyama, Diretor de Marketing para Produtos da Qualcomm, empresa conhecida pelos chipsets presentes em smartphones e tablets Android, além de notebooks mais modernos.

O executivo já tem mais de 18 anos na empresa que, além de hardware para dispositivos móveis, também vem se movimentando para se consolidar como uma das principais players do segmento de IA. A Qualcomm está realizando investimentos para atender à demanda por infraestrutura específica para inteligência artificial, um mercado que, neste momento, tem a NVIDIA como peça central.

À nossa newsletter, Oyama falou sobre a democratização da tecnologia, os esforços da Qualcomm para competir com outras gigantes no setor de IA e as futuras aplicações da inteligência artificial.

Outro Prompt_: No início do segundo semestre, a empresa lançou o programa “IA Qualcomm para Inovadores” para ajudar startups a desenvolver soluções práticas de IA diretamente em dispositivos. Como esse programa funciona na prática? Qual é a efetiva contribuição da Qualcomm para possibilitar a criação de novas ferramentas inteligentes que sejam de real utilidade para a sociedade?

Helio Akira Oyama: O Programa Qualcomm AI para Inovadores (QAIPI). LATAM 2025, é uma iniciativa que visa apoiar desenvolvedores profissionais e startups da região da América Latina na criação de soluções de IA de ponta, em dispositivos, para diversos setores. Por meio do QAIPI, a Qualcomm Technologies oferece acesso exclusivo a recursos como hardware, software e infraestrutura, além de orientação e sessões de treinamento. O objetivo é ajudar os participantes a desenvolver aplicativos inovadores baseados em IA, abrangendo os setores de dispositivos móveis, computação e IoT.

Os finalistas selecionados para avançar para a segunda fase da competição no Brasil foram: AINX Computing, startup focada em soluções avançadas de IA em diversos setores. Sua proposta visava desenvolver um sistema de IA integrado a dispositivos para apoiar pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). BSV Robotics, do setor agrícola, desenvolveu um projeto para criar um robô móvel autônomo com tecnologia de IA voltado ao monitoramento e controle de pragas em fazendas de algodão. Vision.inn, dentro do ecossistema CAOS Focado Venture Builder, aplica visão computacional à suinocultura. Sua plataforma de IA ajudará a reduzir a mortalidade animal e otimizar as operações de fazendas de suínos. Zumira.ai, empresa de tecnologia da saúde, oferece um assistente de saúde mental baseado em IA para apoio psicológico e triagem. Sua proposta se concentra no desenvolvimento de um sistema de IA de ponta para identificar riscos psicossociais.

Outro Prompt_: Há algumas semanas a Qualcomm anunciou os novos chips AI200 e AI250, para data centers. Como esses chips se diferenciam de soluções oferecidas por concorrentes, como NVIDIA e AMD, em termos de arquitetura e desempenho em cargas de trabalho de inteligência artificial?

Helio: Eles oferecem desempenho em escala de rack e maior capacidade de memória para inferência rápida de IA generativa em data centers, com custo total de propriedade (TCO) líder do setor. Isso representa um grande avanço para viabilizar IA generativa escalável, eficiente e flexível em diferentes setores.

O Qualcomm AI250 apresenta uma arquitetura de memória inovadora, permitindo 10x mais largura de banda efetiva e menor consumo energético. Com isso, entrega um salto geracional em eficiência para cargas de trabalho de inferência de IA. Ele também integra a tecnologia Hexagon NPU, personalizada para cargas de trabalho de data center.

Outro Prompt_: Como a Qualcomm aborda o desafio da eficiência energética na execução de tarefas complexas de IA em dispositivos móveis? Qual é a métrica principal de desempenho por watt que a Qualcomm utiliza para avaliar a superioridade da sua NPU (unidade de processamento neural) em comparação com soluções concorrentes?

Helio: A Qualcomm tem um compromisso sólido com o desafio da eficiência energética, especialmente na execução de tarefas complexas de inteligência artificial em dispositivos móveis. Nossa abordagem envolve a implementação de tecnologias avançadas, como a Qualcomm Hexagon NPU e a eNPU, projetadas especificamente para otimizar o desempenho em tarefas de IA e manter um perfil de baixo consumo energético. Isso permite que os dispositivos realizem operações de IA de forma eficiente, sem comprometer a duração da bateria, algo crucial para a experiência do usuário.

A métrica principal que utilizamos para avaliar a superioridade da nossa NPU em comparação com soluções concorrentes é o desempenho por watt, com foco em um desempenho que pode alcançar até TOPS/W (Tera Operations Per Second por Watt). Essa métrica nos permite medir a eficiência com que a NPU executa tarefas de IA em relação ao consumo de energia. Ao maximizar o desempenho por watt, garantimos que os dispositivos não apenas realizem tarefas complexas de IA com rapidez, mas também o façam de maneira sustentável, prolongando a vida útil da bateria e melhorando a experiência geral do usuário.

Outro Prompt_: Como a estratégia da Qualcomm de habilitar a execução de IA diretamente em smartphones e outros dispositivos móveis torna a Inteligência Artificial mais acessível para consumidores em mercados emergentes, onde o acesso a infraestrutura em nuvem de alto custo pode ser bastante limitado?

Helio: É fundamental tornar essa tecnologia mais acessível, especialmente em mercados emergentes. Ao integrar capacidades de IA diretamente nos dispositivos, permitimos que os consumidores realizem tarefas complexas de IA localmente, sem depender de infraestrutura em nuvem, que pode ser cara. Essa abordagem traz várias vantagens.

Primeiro, ela reduz a latência. Assim, os usuários têm experiências mais rápidas e responsivas ao interagir com aplicativos que usam IA, como assistentes virtuais, reconhecimento de voz e processamento de imagem. Em locais onde a conectividade é intermitente ou de baixa qualidade, a capacidade de processar dados localmente se torna ainda mais valiosa. Ela garante que as pessoas continuem a usufruir de funcionalidades avançadas independentemente das condições de rede.

Além disso, ao minimizar a necessidade de transferir grandes volumes de dados para a nuvem, reduzimos os custos associados ao uso de serviços de nuvem, que podem ser proibitivos em muitos mercados emergentes. Isso democratiza o acesso à IA, permitindo que mais pessoas utilizem tecnologias avançadas no dia a dia, da educação ao entretenimento e ao trabalho.

Outro Prompt_: Para além dos dispositivos mobile, quais são as próximas plataformas (PCs, automóveis, wearables, Internet das Coisas etc.) em que a Qualcomm prevê que a sua tecnologia de “IA on-device” terá o maior impacto na próxima década? Qual é o papel do hardware específico para a execução de soluções de IA nesse cenário?

Helio: A Qualcomm quer levar a inteligência artificial às mãos do consumidor final. Hoje, trabalhamos para levar a IA a computadores, dispositivos e carros de realidade virtual, aumentada e mista, entre outras categorias de produtos.

Nos PCs, por exemplo, a implementação de IA on-device permitirá um desempenho aprimorado em tarefas como processamento de imagem, edição de vídeo e segurança, tornando os computadores mais inteligentes e responsivos. Essa capacidade fará com que os dispositivos aprendam e se adaptem ao comportamento do usuário, otimizando desempenho e eficiência.

Nos automóveis, a IA on-device será crucial para o desenvolvimento de sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS) e para a evolução dos veículos autônomos. Processar dados em tempo real, localmente, permite que os veículos tomem decisões rápidas e precisas, aumentando a segurança e melhorando a experiência de direção.

Os wearables, como relógios inteligentes e dispositivos de saúde, também se beneficiarão enormemente da IA on-device. Eles poderão monitorar a saúde do usuário, fornecer feedback em tempo real e até prever condições de saúde, tudo isso sem depender de uma conexão constante com a nuvem.

Na Internet das Coisas, a IA on-device permitirá que dispositivos conectados operem de maneira mais inteligente e independente. Isso significa que dispositivos em casas inteligentes, fábricas e cidades poderão analisar dados localmente, responder a eventos em tempo real e melhorar a eficiência operacional.

O papel do hardware específico para a execução de soluções de IA é fundamental nesse cenário. Processadores otimizados, como a Qualcomm AI Engine, são projetados para executar algoritmos de IA de forma eficiente, garantindo que tarefas complexas sejam realizadas rapidamente e com baixo consumo de energia. Esse hardware especializado não apenas melhora o desempenho, como também torna as soluções de IA mais acessíveis e práticas para desenvolvedores, facilitando a criação de aplicativos inovadores em diversas plataformas.

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