Vídeo mostra vírus da gripe “surfando” até invadir células humanas

Pesquisadores da Suíça e do Japão observaram em alta resolução como os vírus da influenza infectam células humanas vivas. A ETH Zurich anunciou a descoberta, ao utilizar uma nova técnica microscópica. Os cientistas constataram que as células não são apenas alvos passivos, mas participam ativamente do processo de infecção.

A equipe internacional documentou detalhes inéditos sobre a dinâmica da infecção viral. Por meio da combinação de tecnologias avançadas de microscopia, os pesquisadores verificaram que as células tentam capturar o vírus da influenza, contrariando a visão tradicional sobre o processo de invasão.

“A infecção de nossas células corporais é como uma dança entre vírus e célula,” explicou Yohei Yamauchi, Professor de Medicina Molecular da ETH Zurich, que liderou o estudo. Veja:

Metodologia inovadora permite observação em tempo real

A pesquisa vem sendo conduzida nos últimos meses e continua em andamento, com resultados iniciais já publicados. Os experimentos envolveram a observação microscópica de células humanas cultivadas em placas de Petri, permitindo assim acompanhar detalhadamente a interação entre os vírus da influenza e as células hospedeiras.

O trabalho focou especificamente nos vírus da influenza, causadores da gripe sazonal caracterizada por sintomas como febre, dores musculares e coriza, e nas células humanas que eles infectam. Laboratórios especializados na Suíça realizaram as observações.

A metodologia desenvolvida pelos cientistas combina microscopia de força atômica (AFM) e microscopia de fluorescência, sendo denominada ViViD-AFM (virus-view dual confocal and AFM). Esta abordagem permitiu aos pesquisadores da ETH Zurich acompanhar com precisão os detalhes da entrada do vírus na célula, fornecendo dados quantitativos sobre o comportamento celular durante a infecção.

Avanço significativo em relação a técnicas anteriores

Este avanço é importante porque estudos anteriores utilizavam técnicas que destruíam as células, resultando apenas em imagens estáticas. Além disso, outras metodologias, como a microscopia de fluorescência isolada, ofereciam apenas baixa resolução espacial, limitando a compreensão do processo completo.

Ainda não está completamente esclarecido como esses novos conhecimentos poderão ser aplicados em tratamentos específicos. No entanto, os pesquisadores indicam que esta técnica poderá auxiliar no desenvolvimento de terapias antivirais mais direcionadas. Também permanece em aberto se o comportamento celular observado é consistente para todos os tipos de vírus ou se existem variações dependendo do patógeno.

Mecanismo de infecção revelado em detalhes

Os cientistas observaram que as células não obtêm vantagens ao serem infectadas ou ao participarem ativamente do processo. Esta interação ocorre porque os vírus se apropriam de um mecanismo celular cotidiano essencial, que normalmente serve para transportar substâncias vitais como hormônios, colesterol ou ferro para o interior celular.

De acordo com a pesquisa, os vírus da influenza se comportam como “surfistas” na superfície celular, escaneando-a e se ligando a moléculas receptoras até encontrarem um ponto ideal de entrada. Estes pontos são locais com alta concentração de receptores próximos uns aos outros, permitindo assim uma captação eficiente.

Quando os receptores celulares detectam a presença do vírus na membrana, forma-se uma depressão no local. Uma proteína estrutural chamada clatrina modela e estabiliza essa depressão. Assim, à medida que o bolso cresce, ele envolve o vírus, formando uma vesícula que a célula transporta para seu interior, onde o revestimento se dissolve e libera o vírus.

Para facilitar este processo, a célula recruta proteínas de clatrina para o local onde o vírus está posicionado. A superfície celular também captura ativamente o vírus, formando protuberâncias no ponto de contato. Estas movimentações onduladas da membrana se intensificam caso o vírus tente se afastar da superfície celular.

Aplicações futuras da técnica

De acordo com os pesquisadores, o método desenvolvido é adequado para testar a eficácia de potenciais medicamentos antivirais em culturas celulares em tempo real. No futuro, esta abordagem poderá ser aplicada na investigação do comportamento de outros vírus ou mesmo vacinas, abrindo novas possibilidades para entender como os vírus infectam as células e, potencialmente, como interromper esse processo.

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