Cientistas descobrem que continentes da Terra têm sido “descascados” por baixo

Cientistas descobriram um processo geológico no qual fragmentos de continentes estão se desprendendo lentamente de sua camada inferior, ou base. Assim, pedaços da crosta continental vão para as profundezas do manto oceânico, a camada quente e sólida no fundo do mar. Por lá, o material pode desencadear atividade vulcânica em regiões inesperadas por dezenas de milhões de anos.

A pesquisa, publicada na revista Nature Geoscience, foi liderado pela Universidade de Southampton, Inglaterra. Ele explica como ilhas oceânicas longe das placas tectônicas podem conter assinaturas químicas semelhantes às de rochas continentais, mesmo cercadas pelo oceano.

Muitas ilhas vulcânicas contêm altos níveis de elementos químicos “enriquecidos” típicos da crosta continental. Os cientistas acreditavam que o enriquecimento era proveniente de processos nas profundezas da Terra, misturando material antigo e reciclado ao manto.

Contudo, algumas regiões vulcânicas mostram poucos sinais de reciclagem da crosta terrestre. Enquanto isso, outras parecem muito frias e rasas para serem impulsionadas por plumas mantélicas… colunas de rocha quente que sobem das profundezas do planeta.

O que os cientistas descobriram sobre os continentes?

Agora, o artigo propõe uma resposta: os continentes não se separam apenas na superfície, mas também se desprendem de baixo para cima, em distâncias maiores. Eles ainda desenvolveram simulações para imitar esse comportamento.

Pesquisas anteriores mostram que, quando os continentes se separam, forças tectônicas desencadeiam instabilidades que varrem a base dos continentes, perturbando suas raízes a 150 a 200 km de profundidade. O estudo também se baseia na descoberta de que ondas do manto podem mudar as profundezas dos continentes.

O movimento das forças tectônicas ocorre a apenas um milionésimo da velocidade de um caracol, removendo material das raízes profundas dos continentes. Esses fragmentos se arrastam lateralmente para o manto oceânico, onde alimentam erupções vulcânicas.

“Descobrimos que o manto ainda sente os efeitos da ruptura continental muito tempo depois da separação dos próprios continentes”, explicou Sascha Brune, coautor do texto. “O sistema não se desliga quando uma nova bacia oceânica se forma – o manto continua se movendo, se reorganizando e transportando material enriquecido para longe de sua origem.”

A equipe analisou dados geoquímicos da Terra, incluindo da Província de Montes Submarinos do Oceano Índico, cadeia de formações vulcânicas que formou-se após a fragmentação de Gondwana, há mais de 100 milhões de anos. Por meio de simulações e análises químicas, eles descobriram que, após a fragmentação do supercontinente, uma explosão de magma enriquecido chegou à superfície.

Em dezenas de milhões de anos, esse sinal químico desapareceu conforme o fluxo de material sob o continente diminuía. Isso aconteceu sem que uma pluma mantélica viesse das profundezas da Terra, como os geólogos presumiam.

Não descartamos as plumas mantélicas, mas esta descoberta aponta para um mecanismo completamente novo que também molda a composição do manto terrestre”, disse Thomas Gernon, professor e autor principal. “As ondas mantélicas podem transportar porções de material continental para o interior do manto oceânico, deixando para trás uma assinatura química que perdura muito tempo depois da separação dos continentes.”

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