Google Cloud é uma plataforma que oferece serviços computacionais, como armazenamento, análise de dados e inteligência artificial (IA), por exemplo, para empresas. Na prática, isso elimina a necessidade de organizações gerenciarem suas próprias estruturas físicas.
Nossa entrevista da semana é com Fernanda Jolo, que desde junho de 2022 é líder de engenharia de clientes de IA para América Latina no Google Cloud. Ao Giz Brasil/Outro Prompt_, a executiva falou sobre os investimentos na infraestrutura da empresa no Brasil, a democratização das ferramentas de IA e comentou alguns dos principais avanços proporcionados pela plataforma de nuvem da gigante das buscas.
Durante o Google Cloud Summit, vocês anunciaram a instalação das TPUs v6 em São Paulo. Esse investimento permitirá um processamento de inteligência artificial quatro vezes mais veloz e com menor gasto energético. Qual é o nível de importância do Brasil para a infraestrutura global de IA do Google?
Fernanda Jolo: O Brasil é um mercado extremamente importante para os nossos negócios. Nosso trabalho é empoderar as organizações a inovar, por isso estamos fornecendo as tecnologias de IA mais avançadas, como a chegada do Trillium, a sexta geração de TPUs do Google, na nossa região de nuvem de São Paulo. Acreditamos que a IA oferece uma oportunidade única para o Brasil e a América Latina, pois possui um potencial significativo para impulsionar o crescimento e liberar novas formas de oportunidade econômica.
Uma das principais ferramentas oferecidas pelo Google Cloud é o Vertex AI. A plataforma possibilita que empresas de diversos setores possam implementar e gerenciar ferramentas de inteligência artificial para impulsionar seus negócios. Qual é o impacto da ferramenta nas empresas brasileiras? A falta de profissionais qualificados em empresas de médio porte pode ser, de alguma forma, um obstáculo para a adesão da solução?
Fernanda: A adoção de agentes de IA no Brasil é rápida e impacta nos negócios, essa é uma constatação do nosso recente estudo ‘Retorno do investimento (ROI) em IA’, onde 62% dos líderes brasileiros indicaram que estão atualmente aproveitando agentes em toda sua empresa. Para que essas organizações continuem aproveitando o máximo potencial da IA, como a utilização dos agentes, é que oferecemos soluções como a Vertex AI, que permite aos clientes e partners criar, implantar e dimensionar modelos de Machine Learning. O que percebemos é uma crescente utilização da plataforma, em 2025 a Vertex AI registrou uma utilização 20 vezes maior em relação ao ano anterior.
Como uma empresa AI-First, estimulamos uma democratização da IA com as nossas soluções no-code, onde se usa apenas a linguagem natural, o que permite às organizações construir aplicações ou obter insights sem precisar de conhecimento prévio de programação. Ao mesmo tempo, aqueles que já eram programadores mais avançados têm se beneficiado muito dos assistentes de programação, tornando o trabalho deles mais eficiente.
Sobre a questão da qualificação, nós acreditamos na IA como uma ferramenta de transformação social e oportunidade única para crescimento. Por isso, estamos desempenhando um papel fundamental na capacitação da força de trabalho do futuro, comprometendo-nos a treinar 1 milhão de pessoas no Brasil em tecnologias de nuvem e IA nos próximos anos. Dentre as ações que contribuem com essa meta está a realização, no dia 6 de dezembro, do ‘Capacita+ Aprenda IA com Google Cloud’, que será o maior evento híbrido de treinamento do Google Cloud na América Latina, treinando 200 mil profissionais não técnicos e estudantes em IA generativa com Gemini em um único dia.
Qual avanço em IA mais te empolga hoje — algo que você acredita que ainda está subestimado pelo público em geral? E como você, pessoalmente, mantém o equilíbrio entre o fascínio pela tecnologia e a responsabilidade sobre seus impactos sociais? Acha que as pessoas vão se tornar mais preguiçosas e dependentes da IA?
Fernanda: As aplicações no dia a dia da saúde são as que mais me fascinam e às vezes nem mesmo as pessoas têm conhecimento sobre o potencial desta tecnologia. Por exemplo, aqui em São Paulo, o Hospital de Amor que oferece atendimento para pacientes oncológicos do SUS, no tratamento do câncer de pulmão, está utilizando a Inteligência Artificial do Google Cloud para otimizar a detecção precoce. Por meio da automatização de análise de imagens de raios-X, agiliza diagnósticos e, consequentemente, ajuda a salvar vidas. O projeto já analisou mais de 30 mil imagens, identificando 68 casos que demandaram investigação aprofundada, demonstrando o impacto positivo da IA na saúde. Temos também a Huna, uma empresa de deeptech, que também por meio da nossa tecnologia desenvolveu uma solução que busca detectar o câncer de mama através do exame de sangue.
Atualmente, as principais empresas de tecnologia do mundo estão investindo bilhões em infraestrutura de IA. Diante disso, especialistas alertam para o aumento exponencial nos gastos de energia e água potável em data centers. Como o Google trata a necessidade de aumentar continuamente a eficiência de seus serviços em um cenário onde os impactos ambientais causados pela demanda por IA são cada vez mais preocupantes?
Google Cloud: O Google está comprometido em construir produtos e plataformas de forma responsável. Estamos investindo em infraestrutura eficiente e novas fontes de energia para garantir energia limpa e confiável para todos e alimentar a próxima onda de inovação e crescimento econômico. Nossos esforços são para construir uma infraestrutura de computação ainda mais eficiente e sustentável. Atualmente um data center de propriedade e operado pelo Google é, em média, aproximadamente 1,8 vezes mais eficiente em termos de energia do que um data center corporativo típico.
Para esse futuro mais sustentável, também acreditamos e investimos no potencial da IA. Segundo dados de um relatório do Google e do Boston Consulting Group (BCG), a IA tem o potencial de ajudar a mitigar de 5% a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) até 2030 — o equivalente ao total de emissões anuais da União Europeia. Nossas equipes de pesquisa e produto estão usando a IA de maneiras que melhoram a vida de bilhões de pessoas, desde a descoberta de soluções inovadoras para as crescentes necessidades energéticas atuais até a facilitação de uma resposta mais rápida a desastres e a detecção e o rastreamento mais ágil de incêndios florestais.
Posicionamento do Google Cloud
Quando perguntamos sobre a crescente demanda por de energia elétrica nos data centers, o Google preferiu divulgar um posicionamento oficial.
“Uma das principais discussões sobre IA diz respeito aos impactos ambientais causados pelos crescentes investimentos na tecnologia. A Agência Internacional de Energia estima que em 2026 os data centers de IA vão consumir mil terawatts de energia, o equivalente ao consumo de energia anual do Japão.
A expectativa é de que a demanda global por energia de instalações com infraestrutura de IA aumente 16% anualmente até 2028, de acordo com um estudo do Boston Consulting Group. Além disso, a pesquisa estima gastos de US$ 1,8 trilhão até 2030 com data centers.”
The post “Nem mesmo as pessoas têm conhecimento do potencial da IA”, diz Fernanda Jolo, do Google Cloud appeared first on Giz Brasil.