Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, nos EUA, criaram um algoritmo de inteligência artificial (IA) para detectar doenças cardíacas usando smartwatches.
Smartwatches são sensores de eletrocardiograma de derivação única, mas a IA conseguiu identificar condições cardíacas, como válvulas danificadas e espessamento do músculo cardíaco, com até 89%.
Os cientistas apresentaram um estudo com os resultados na última segunda-feira (3), na conferência Scientific Sessions 2025, da Sociedade do Coração dos Estados Unidos (AHA).
Atualmente, smartwatches conseguem detectar alterações de ritmo cardíaco, como fibrilação atrial. Mas os cientistas do Laboratório de Ciência de Dados Cardiovasculares (CarDS) de Yale usaram IA para descobrir se smartwatches poderiam detectar doenças cardíacas estruturais ocultas em estágios iniciais. Esse processo exige equipamentos caros de difícil acesso.
“Milhões de pessoas já usam smartwatches para monitorar ritmo cardíaco. Nosso objetivo foi verificar se esses mesmos dispositivos poderiam também detectar doenças estruturais antes que causem complicações graves,” explicou Dr. Arya Aminorroaya, coautor do estudo.
Para treinar o algoritmo de IA, os cientistas analisaram 266 mil eletrocardiogramas de 12 derivações de mais de 110 mil pacientes. Em seguida, a equipe simulou o uso de smartwatches isolando somente uma derivação.
A IA alcançou 92% de eficácia na identificação de doenças cardíacas em testes hospitalares e 80% em testes com 600 participantes usando smartwatches.
Os cientistas destacaram a enorme diversidade demográfica do estudo, com participantes com idade média de 62 anos e distribuição igual de gênero.
Cerca de 5% dos participantes apresentaram doença cardíaca estrutural, confirmada por ecocardiogramas.
Além disso, os cientistas validaram a IA com dados de quatro hospitais dos EUA e do estudo ELSA-Brasil (Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto), com dados de mais de 3 mil brasileiros.
“Com esse modelo de IA, podemos imaginar uma triagem em larga escala usando dispositivos que já fazem parte da vida cotidiana”, afirmou Rohan Khera, diretor do CarDS Lab.
Conforme o estudo, os cientistas usaram a IA no Apple Watch para identificar doenças cardíacas com alta taxa de precisão.
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