Em 2007, a Terra passou por um evento incomum, mas de grande escala: uma “falha” temporária na gravidade do planeta na região leste do Oceano Atlântico.
Na superfície do planeta, no entanto, ninguém percebeu o fenômeno temporário que causou uma anomalia no campo gravitacional da Terra. Mas satélites orbitando a Terra registraram a falha na gravidade em 2007.
Agora, 18 anos depois do ocorrido, cientistas publicaram um estudo que desvenda o mistério sobre a falha na gravidade da Terra. Cientistas mulheres de diferentes campos de pesquisa do Instituto Geográfico Nacional da França se juntaram para descobrir a causa da falha da gravidade.
As autoras receberam apoio do Centro Nacional de Estudos Espaciais da França (CNES), obtendo dados de observação da missão GRACE. A missão Grace, de março de 2002 a outubro de 2017, registrou com detalhes dados sobre anomalias do campo gravitacional da Terra.
A missão GRACE, da NASA e do DLR (Centro Aeroespacial Alemão), colocou dois satélites no espaço para detectar pequenas mudanças na gravidade da Terra. Tais mudanças, geralmente, também indicavam alterações gravitacionais próximas à superfície da Terra ou na superfície em si.
Alguns exemplos são: o derretimento de geleiras e o aumento do nível do mar, que as análises da Grace previam pouco antes de acontecer.
No entanto, Charlotte Gaugne Gouranton, geofísica do IGN e principal autora do estudo, identificou que a falha de 2007 não se enquadrava em nenhum processo conhecido.
Mineral mais comum da Terra explica falha na gravidade
Entre 2006 e 2008, com o auge em janeiro de 2007, a missão GRACE registrou uma enorme anomalia gravitacional dipolar. Ou seja: uma região onde a gravidade era mais forte em um polo. Aliás, essa anomalia cruzava cerca de 7 mil quilômetros no Oceano Atlântico.
No estudo, as cientistas criaram modelos usando os dados da Grace para incluir cenários com mudanças de massas de água. No entanto, essa simulação não conseguiu replicar a escala da falha de gravidade na Terra em 2007.
Por isso, as pesquisadoras mudaram o alvo, mirando os processos que ocorrem na região entre o manto e o núcleo, focando no mineral mais abundante do manto. Aliás, da Terra.
Parente do titânio por ser da família Perovskita de minerais, a bridgmanita, sob extrema pressão e calor, muda sua estrutura de cristal e altera sua densidade. A transformação de fase redistribui rapidamente sua massa, o suficiente para alterar o campo gravitacional da Terra e, possivelmente, causar a falha de 2007.
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