Mistério das enigmáticas “Pedras de Dragão” finalmente resolvido

As enigmáticas vishaps, mais conhecidas como pedras do dragão da Armênia, foram monumentos usados em cultos em homenagem à água há mais de seis mil anos.

No início deste mês, um estudo publicado por cientistas da Universidade Estadual de Yerevan, na capital da Armênia, é o primeiro material científico com uma ampla análise estatística destes monólitos.

Vahe Gurzadyan e Arsen Bobokhyan, autores do estudo, examinaram 115 pedras do dragão encontradas em áreas de alto de alta altitude próximas a riachos, lagos e sistemas de irrigação em locais de pastoreio.

Com isso, os pesquisadores revelaram padrões que sustentam a tese de importância ritualística das pedras do dragão entre as primeiras sociedades agricultoras.

Gurzadyan e Bobokhyan encontraram 115 pedras do dragão no sítio de Tirinkatar. O sítio faz parte do Monte Aragats, em dois pontos do maior pico da Armênia, a mais de seis mil metros acima do nível do mar.

As pedras do dragão eram um avanço tecnológico

A localização das pedras no Planalto Armênio. A área encobre quase todo o país, fortalece ainda mais o potencial ritualístico dos artefatos, indicando também as migrações sazonais.

Vale ressaltar que, com o surgimento do Cristianismo, tanto o sítio de Tirinkatar quanto o Planalto Armênio ganharam novos significados. O primeiro é o suposto local onde Noé construiu a arca, enquanto o segundo é associado ao Jardim do Éden.

No entanto, arqueólogos consideram o Planalto Armênio como o epicentro da Idade de Ferro — e as pedras do dragão podem ajudar a explicar essa afirmação científica.

No estudo, os cientistas usaram datação por radiocarbono nas pedras do Monte Aragats, identificando a criação entre 4.200 e 4.000 a.C., durante o período conhecido como a “Idade do Cobre”.

A Idade do Cobre, ou calcolítico, antecede a Idade de Bronze. Esta era é, portanto, milhares de anos antes da Idade do Ferro. Contudo, o estudo identificou o uso da fundição no cobre, tecnologia que apareceria somente três mil anos depois.

Além disso, as pedras do dragão revelaram não somente uma tecnologia inovadora para a época, mas também tradições espirituais complexas no local. Os cientistas identificaram pinturas rupestres, pedregais e cromeleques, onde acharam as 115 pedras.

Mas, como seus entalhes de animais e peixes continuam visíveis, as pedras do dragão oferecem pistas sobre o propósito original dessas criações. Aliás, pedras com inscrições no idioma urartuano mostram que os artefatos ultrapassam a pré-história.

Entalhes medievais demonstram que culturas posteriores na Armênia modificaram o propósito dos monumentos, mas continuaram a reverenciá-los. Um exemplo é o uso das pedras do dragão em itens tradicionais do Cristianismo na Armênia.

Desse modo, a descoberta enfatiza a continuidade cultural das pedras do dragão, que se estende da pré-história a tradições religiosas posteriores.

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