Terra aquece 1,5°C por três anos consecutivos e ameaça Acordo de Paris

A temperatura média global em 2025 ficou 1,47 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, tornando-se o terceiro ano mais quente já registrado, apenas 0,01°C abaixo de 2023. Os dados foram divulgados nesta semana pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S) da União Europeia. Este resultado completa um período de três anos consecutivos com 1,5°C acima dos níveis de 1850-1900. Indicando assim que o planeta caminha para violar o Acordo de Paris até o final desta década.

O levantamento do C3S revela que 2024 permanece como o ano mais quente da história, com temperatura 1,6°C acima da média pré-industrial global, sendo o primeiro a ultrapassar oficialmente a marca de 1,5°C.

De acordo com a Scientific American, os registros também mostram que os últimos 11 anos foram os mais quentes já documentados. Evidenciando assim uma clara tendência de aquecimento.

Acordo de Paris em risco uma década antes do previsto

O aquecimento global tem se intensificado devido ao aumento contínuo dos níveis de gases de efeito estufa na atmosfera. Esta tendência coloca o planeta no caminho para violar o acordo climático internacional firmado em 2015, que estabelece que os países devem limitar o aquecimento global a menos de 1,5°C e “bem abaixo” de dois graus Celsius.

“Estes três anos se destacam daqueles que vieram antes”, afirmou Samantha Burgess, diretora adjunta do C3S, em uma coletiva de imprensa na segunda-feira (12).

De acordo com o C3S, a Terra provavelmente ultrapassará o limite de temperatura estabelecido pelo Acordo de Paris até o final desta década. Isso mais de dez anos antes do que foi previsto quando o acordo foi inicialmente negociado.

Embora o acordo considere médias de temperatura ao longo de muitos anos, o fato de atingirmos um marco de aquecimento por três anos consecutivos, com os anos mais quentes concentrados na última década, indica uma aproximação da violação permanente desse limite.

Gestão das consequências climáticas

O diretor do C3S, Carlo Buontempo, expressou preocupação com a situação atual. “O mundo está se aproximando rapidamente do limite de temperatura de longo prazo estabelecido pelo Acordo de Paris. Estamos destinados a ultrapassá-lo; a escolha que temos agora é como melhor gerenciar o inevitável excesso e suas consequências para as sociedades e sistemas naturais”, declarou em comunicado.

Os impactos deste aquecimento contínuo afetam ecossistemas globais e populações humanas em todo o planeta. Além disso, ainda não há certeza se será possível evitar a ultrapassagem permanente do limite estabelecido pelo acordo. Isso porque os dados atuais apontam para uma violação muito antes do previsto inicialmente.

Política dos EUA e impactos no acordo

As ações da administração Trump têm complicado os esforços para cumprir as metas do Acordo de Paris. Há um ano, o presidente Donald Trump iniciou o processo para retirar os Estados Unidos do acordo. Assim, repetindo uma ação de sua primeira administração.

Na semana passada, por exemplo, Trump anunciou planos para ir além. Ele quer retirar os EUA do tratado climático sob o qual o Acordo de Paris foi negociado, além de outros acordos relacionados.

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