A Estação Espacial Internacional (ISS) está sendo operada por apenas três tripulantes desde quinta-feira (15), sendo dois russos e um estadunidense. A redução ocorreu após a NASA realizar sua primeira evacuação médica em 25 anos de história da estação. Isso porque um incidente médico com um dos membros da tripulação levou ao retorno antecipado dos quatro astronautas da missão Crew-11.
A estação orbital agora funciona com o astronauta Christopher Williams da NASA e os cosmonautas russos Sergey Kud-Sverchkov e Sergey Mikaev, que chegaram à ISS em novembro a bordo de uma nave Soyuz russa. A tripulação anterior retornou à Terra na quinta em uma cápsula SpaceX Crew Dragon, pousando na costa de San Diego, nos EUA.
A NASA havia adiado uma caminhada espacial programada para 8 de janeiro após identificar o problema médico. Um dia depois, a agência espacial norte-americana realizou uma coletiva de imprensa para anunciar oficialmente a evacuação.
O incidente ocorreu no início de janeiro a bordo da estação, que orbita a Terra a aproximadamente 400 km de altitude. A agência espacial não revelou qual membro específico da Crew-11 foi afetado, informando apenas que se tratava de um único tripulante em condição estável.
“Por mais de 60 anos, a NASA estabeleceu o padrão de segurança em voos espaciais tripulados”, afirmou Jared Isaacman, administrador da NASA. “Nessas iniciativas, incluindo os 25 anos de presença humana contínua a bordo da Estação Espacial Internacional, a saúde e o bem-estar de nossos astronautas sempre foram e serão nossa maior prioridade.”
Operação com tripulação mínima
Com a saída da Crew-11, a ISS passou de sete para apenas três tripulantes. Operando assim com o que a NASA denomina “tripulação mínima”. Em contraste, a estação já abrigou até 13 astronautas simultaneamente em 2009.
De acordo com a Ars Technica, o tamanho “normal” da tripulação foi aumentado para seis em 2009 e para sete em 2020. A NASA busca agora adiantar a missão Crew-12 da SpaceX, originalmente programada para 15 de fevereiro, para reforçar a equipe na estação.
“Apesar de todas as mudanças e todas as dificuldades, vamos fazer nosso trabalho a bordo da ISS, realizando todas as tarefas científicas, tarefas de manutenção, aconteça o que acontecer”, declarou Kud-Sverchkov na segunda-feira.
Amit Kshatriya, administrador associado da NASA, informou que “Chris [Williams] está treinado para realizar todas as tarefas que pedirmos a ele”, acrescentando que “ele terá milhares de pessoas olhando por cima de seu ombro.”
Impactos na operação da estação
Com a redução da tripulação, a agência vai limitar significativamente o trabalho científico na estação. De acordo com o Space.com, a NASA não poderá realizar caminhadas espaciais durante este período com equipe reduzida.
Além disso, a agência espacial dos EUA está priorizando maximizar o uso da ISS antes de sua desativação programada para daqui a quatro anos. Por outro lado, a NASA ainda não anunciou a data do lançamento da missão Crew-12, com quatro astronautas.
Em uma postagem de 8 de janeiro, o ex-astronauta Chris Hadfield escreveu: “A Estação estará mais vulnerável até que a tripulação substituta de quatro [pessoas] possa ser lançada, mas temos vasta experiência em operar o local com apenas 3 astronautas por um tempo.”
Michael Fincke, membro da Crew-11, descreveu o momento como “agridoce” em publicação no LinkedIn no domingo, quatro dias antes do pouso. “Todos a bordo estão estáveis, seguros e bem cuidados”, escreveu. “Esta foi uma decisão deliberada para permitir que as avaliações médicas corretas aconteçam em solo, onde existe toda a gama de capacidades de diagnóstico.”
“Estamos gratos pelo trabalho em equipe, orgulhosos da missão e ansiosos para voltar para casa em breve, de volta aos nossos entes queridos e para resolver quaisquer questões médicas com o melhor atendimento disponível”, acrescentou Fincke.
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