O Observatório Rubin, no Chile, identificou, com a ajuda da maior câmera do mundo, o asteroide 2025 MN45, com aproximadamente 800 metros de diâmetro, que completa uma rotação em apenas 1,88 minutos. A descoberta, publicada no The Astrophysical Journal Letters, estabelece este objeto como o asteroide de grande porte com rotação mais veloz já documentado por pesquisadores da Fundação Nacional de Ciência (NSF) e do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE). Além disso, reforça a capacidade do observatório de monitorar objetos próximos que podem representar algum perigo para a Terra.
A identificação ocorreu durante a fase inicial de testes do Observatório, entre abril e maio de 2025. De acordo com a Popular Science, os astrônomos coletaram dados por aproximadamente 10 horas distribuídas em sete noites de observação. Em junho do mesmo ano, antes mesmo da operação completa do equipamento prevista para 2026, observações preliminares já haviam revelado 1.900 asteroides inéditos.
A velocidade com que um asteroide gira fornece pistas importantes sobre sua formação e estrutura. No caso do 2025 MN45, sua rotação extremamente acelerada pode ser consequência de um impacto anterior com outro corpo celeste.
Imagem: Rubin Observatory/NSF/AURA/A. Pizarro D
Durante o estudo, os cientistas identificaram 76 asteroides com períodos de rotação confiáveis. Deste total, 16 são rotadores super-rápidos, com períodos entre 13 minutos e 2,2 horas. Enquanto três são considerados ultra-rápidos, completando uma volta em menos de cinco minutos.
A equipe também encontrou 19 rotadores rápidos com aproximadamente 90 metros de tamanho, dimensão comparável a um campo de futebol americano. Porém, o 2025 MN45 se destaca significativamente por seu diâmetro de 800 metros combinado com sua rotação completa a cada 1,88 minutos.
Observatório Rubin
Instalado no topo de uma montanha no Chile, o Observatório Rubin realizará varreduras do céu durante uma década utilizando a câmera LSST de 3.200 megapixels. Aliás, este equipamento avançado cria um registro em time-lapse do universo em ultra-alta definição, capturando uma nova imagem a cada 40 segundos.
A maioria dos asteroides localizados no cinturão principal entre Marte e Júpiter precisa completar uma rotação em 2,2 horas para evitar fragmentação. Assim, objetos que giram mais rapidamente necessitam de força estrutural excepcional para permanecer intactos.
Entre outras descobertas notáveis estão os asteroides 2025 MJ71 (período de rotação de 1,9 minutos), 2025 MK41 (3,8 minutos), 2025 MV71 (13 minutos) e 2025 MG56 (16 minutos).
“O Observatório Rubin NSF-DOE encontrará coisas que ninguém sequer sabia que deveria procurar”, afirmou Luca Rizzi, diretor de programa da NSF para infraestrutura de pesquisa. “Quando o Levantamento do Legado do Espaço e do Tempo do Rubin começar, este enorme asteroide giratório será acompanhado por uma avalanche de novas informações sobre nosso Universo, capturadas todas as noites.”
Assim, os cientistas esperam descobrir mais objetos quando o Observatório Rubin iniciar oficialmente seu Levantamento do Legado do Espaço e do Tempo (LSST), programado para durar 10 anos. Isso porque estas observações sistemáticas fornecerão informações cruciais sobre as forças, composições e histórias evolutivas desses corpos cósmicos.
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