Um estudo publicado na revista Nature indica que fontes terrestres liberam aproximadamente 600 quatrilhões de partículas de microplásticos na atmosfera por ano. O volume identificado é cerca de 20 vezes superior à quantidade proveniente dos oceanos, estimada em 26 quatrilhões de partículas.
A investigação determinou que a concentração mediana de microplásticos é de 0,08 partícula por metro cúbico sobre áreas terrestres e 0,003 partícula por metro cúbico sobre o mar. Esses valores são entre 100 e 10 mil vezes menores que estimativas anteriores de microplásticos atmosféricos.
De acordo com a Scientific American, esses novos dados representam um avanço significativo na compreensão da poluição por microplásticos.
Discrepância nas medições
A diferença entre os novos dados e os cálculos prévios demonstra a necessidade de aperfeiçoamento nas medições globais desses poluentes. Os microplásticos são definidos como partículas plásticas com dimensões entre um mícron e cinco milímetros.
Essas partículas são transportadas pelo vento e pela água por longas distâncias. Assim, dificulta sua detecção e remoção do ambiente.
Metodologia da pesquisa
Uma equipe liderada por Andreas Stohl, cientista atmosférico da Universidade de Viena, na Áustria, conduziu o estudo. “Sabíamos que as incertezas das estimativas de emissão existentes eram muito grandes”, afirmou Stohl, principal autor do estudo. “Elas ainda são grandes mesmo após nosso estudo, mas pudemos ao menos reduzir a faixa de incerteza, principalmente quando se trata da importância das emissões baseadas em terra versus emissões baseadas nos oceanos.”
A pesquisa abrangeu diversos ambientes terrestres e marítimos. Os microplásticos estão presentes em todos os lugares da Terra, desde o Deserto do Saara até regiões de gelo marinho no Ártico.
Para obter uma estimativa mais abrangente, os pesquisadores compilaram 2.782 medições coletadas em 283 locais ao redor do mundo. Anteriormente, as estimativas concentravam-se em contabilizar microplásticos gerados pela atividade humana ou medir diretamente sua concentração no ar em áreas específicas.
Essa abordagem resultou em grande variabilidade nos dados. Isso porque, ao longo da costa sudeste da China, as estimativas de microplásticos atmosféricos variaram de 0,004 a 190 partículas por metro cúbico.
Os números apresentados no estudo representam os dados mais abrangentes disponíveis atualmente sobre a presença de microplásticos na atmosfera terrestre.
Além disso, a equipe de pesquisa espera que suas descobertas sirvam como referência para estudos futuros sobre níveis globais de microplásticos. Incluindo, por exemplo, novas medições capazes de contabilizar partículas ainda menores do que as analisadas neste trabalho.
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