2026 pode ser o ano das pílulas emagrecedoras

Medicamentos orais para tratamento da obesidade devem transformar o mercado de GLP-1 em 2026. Isso com a Novo Nordisk já comercializando sua versão em comprimido do Wegovy nos Estados Unidos. Enquanto a Eli Lilly prepara o lançamento de seu próprio medicamento nos próximos meses. Estas pílulas representam uma alternativa mais conveniente e, em alguns casos, mais acessível às populares injeções semanais que dominavam o tratamento até então.

Nos EUA, os preços dos comprimidos Wegovy variam entre US$ 149 (cerca de R$ 800) e US$ 299 (R$ 1.600) mensais. Ou seja, valores inferiores aos das injeções recentemente reduzidos para US$ 349 (R$ 1.800). Esta diferença de custo, aliada à preferência de muitos pacientes por medicamentos orais, deve impulsionar significativamente a expansão do mercado, de acordo a CNBC.

“Acredito que isso expandirá bastante o mercado”, afirmou Mike Doustdar, CEO da Novo Nordisk. “Sabemos por nossos próprios familiares e círculos de amigos que há muitas pessoas que ainda prefeririam não tomar uma injeção. Para este grupo de pessoas, ter uma opção de comprimido é importante.”

Além disso, especialistas indicam que muitas pessoas aguardavam a chegada das versões orais dos medicamentos GLP-1. “Acho que há muitas pessoas que nunca experimentaram esses medicamentos GLP-1. E talvez estejam esperando que os comprimidos sejam lançados”, disse Dr. Eduardo Grunvald, diretor médico do Centro de Gerenciamento Avançado de Peso da UC San Diego Health, nos EUA. “É uma preferência natural para algumas pessoas e até mesmo para alguns prescritores.”

Emagrecimento acessível

A preferência por pílulas está relacionada ao conforto psicológico e à familiaridade que muitos pacientes têm com medicamentos orais. A Dra. Caroline Apovian, co-diretora do Centro de Gerenciamento de Peso e Bem-estar do Hospital Brigham and Women’s, nos EUA, observou que os comprimidos podem levar algumas pessoas a iniciar o tratamento da obesidade porque “elas acham que é de alguma forma mais aceitável ou acessível” do que uma injeção.

“Em segundo lugar, se você tiver que pagar do próprio bolso, os comprimidos serão um pouco menos caros que as injeções, então essa é outra razão”, acrescentou Grunvald.

Aproximadamente 1 em cada 8 adultos nos EUA afirmou estar tomando um medicamento GLP-1 para perda de peso ou tratamento de outra condição crônica em novembro, de acordo com pesquisa da organização KFF. Porém, não está claro exatamente quantas pessoas utilizam atualmente esses medicamentos especificamente para obesidade.

Guerra do GLP-1

As pílulas emergem como o próximo campo de batalha entre a Novo Nordisk e a Eli Lilly, empresas que estabeleceram o espaço GLP-1, avaliado por alguns analistas em quase US$ 100 bilhões até a década de 2030. Em agosto, analistas da Goldman Sachs previram que as pílulas poderiam capturar aproximadamente 24% (cerca de US$ 22 bilhões) do mercado global de medicamentos para perda de peso até 2030.

O analista David Risinger da Leerink Partners prevê que tanto o comprimido da Novo Nordisk quanto o da Eli Lilly “decolarão como um foguete” este ano. A adoção inicial deve ser maior para a pílula Wegovy. Já que o medicamento da Eli Lilly, orforglipron, provavelmente ainda está a meses de entrar no mercado.

Doustdar, da Novo Nordisk, defendeu em dezembro que as restrições dietéticas associadas ao comprimido Wegovy não prejudicarão sua adoção. “Simplesmente beba e siga em frente, e você ficará bem”, disse Doustdar. “Essas pessoas estão acordando de manhã e tomando seu comprimido com um copo de água. E depois seguem sua rotina diária normal meia hora depois e continuam com sua vida.”

Custo mais barato

Os pacientes dos Estados Unidos que pagam em dinheiro poderão acessar a dose inicial de ambas as pílulas por US$ 149 (cerca de R$ 800) mensais através do site TrumpRx. Isso graças a um acordo que as empresas firmaram com a administração do presidente Donald Trump em novembro de 2025.

John Crable, vice-presidente sênior da Corporate Synergies, observou que os preços diretos ao consumidor do medicamento oral da Novo Nordisk são provavelmente “significativamente menores” do que o que empregadores e intermediários pagariam para cobrir os medicamentos.

“Não vejo os empregadores altamente motivados a adicionar o que provavelmente será outro medicamento de alto volume e custo muito alto ao seu formulário quando o preço direto ao consumidor for muito mais barato”, afirmou Crable.

É o fim das canetas?

Por outro lado, os especialistas em medicina da obesidade, que atendem apenas cerca de 5% a 10% dos pacientes elegíveis, provavelmente continuarão favorecendo as injeções. Isso porque elas parecem mais eficazes que as pílulas com base em ensaios clínicos separados.

A Dra. Apovian afirmou: “Se o [preço à vista] for semelhante, sempre prefiro os injetáveis porque acredito que a perda de peso é melhor e os efeitos colaterais são menores.”

Aliás, após o lançamento inicial das pílulas da Novo Nordisk e Eli Lilly, outras farmacêuticas como Pfizer, AstraZeneca, Structure Therapeutics e Viking Therapeutics também estão desenvolvendo suas próprias opções orais. Risinger destacou que o GLP-1 oral diário da Structure entrará em testes de fase três ainda este ano. E que tanto esse medicamento quanto outro GLP-1 oral da AstraZeneca poderiam ser lançados já no final de 2028.

Em relação ao medicamento da Structure, o CEO Raymond Stevens afirmou que a pílula poderia ser “potencialmente a melhor da categoria” para um GLP-1 oral de molécula pequena.

Risinger acrescentou que potenciais pílulas que são tomadas semanalmente, em vez de diariamente. Assim, elas têm “perfis convincentes poderiam inclinar o equilíbrio mais para os orais” no mercado. Aliás, ele mencionou, por exemplo, a Verdiva Bio, empresa privada que está desenvolvendo vários tratamentos orais com peptídeos projetados para serem tomados uma vez por semana. Ela está com um ensaio de fase dois em andamento para um GLP-1 oral.

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